O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira, que os primeiros meses do ano serão “preocupantes” para o Brasil por causa da crise financeira internacional. Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula voltou a defender a manutenção dos investimentos como resposta aos efeitos negativos na economia brasileira.
– Nós vamos ter um trimestre preocupante, mas o governo tomará todas as medidas necessárias para que essa crise afete menos o povo brasileiro. Nós precisamos garantir empregos, garantir salário e garantir renda. Esses são três componentes extraordinários para que a economia brasileira continue a crescer e o povo não seja vítima de uma crise que não foi causada pelo Brasil – avaliou.
Esta semana, o presidente tem reuniões com a área econômica do governo para discutir a crise. Lula reafirmou que o governo pretende manter todos os investimentos programados e estimular a iniciativa privada a adotar a mesma estratégia.
– O grande problema dessa crise é o crédito. Temos que motivar a iniciativa privada a continuar fazendo investimentos e precisamos trabalhar para que o crédito volte à normalidade – apontou.
O presidente afirmou ainda que o governo deve injetar recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para produzir investimentos em efeito cascata, além de medidas bancárias para facilitar o acesso de pequenas e médias empresas ao crédito.
– Essa crise tem que ser encarada pelo povo brasileiro como uma oportunidade – disse.
Paz na Palestina
Lula, ainda em seu programa de rádio, diz estar empenhado em colaborar para um acordo de paz entre judeus e palestinos.
– Nós gostaríamos que, no Oriente Médio, árabes e judeus vivessem como vivem árabes e judeus aqui no Brasil – comparou.
Ele comentou a viagem do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, à Faixa de Gaza.
– Eu mandei o Celso Amorim visitar o Oriente Médio para dizer que o Brasil está interessado em participar ativamente, para que a gente possa encontrar definitivamente o caminho da paz naquele território, naquele espaço geográfico – acrescentou.
O presidente reafirmou o reconhecimento brasileiro da criação do Estado do Israel, mas disse que “o povo palestino merece a chance” de ter um Estado próprio. Ele defendeu o diálogo entre as partes.
– Nós precisamos detectar quem quer os conflitos, colocar essas pessoas numa mesa de negociação, junto com as forças políticas que têm influência tanto na Autoridade Palestina, sobretudo no Hamas e no povo de Israel, para que a gente possa começar uma conversação e encontrar uma fórmula para que eles possam viver em paz e cada um desenvolver o seu país – afirmou.
Na avaliação do presidente, o papel da Organização das Nações Unidas é fundamental para a solução do conflito, desde que as decisões do Conselho de Segurança sejam respeitadas tanto por palestinos quanto por judeus.
Lula voltou a defender a realização de um encontro multilateral para discutir o cessar-fogo na Faixa de Gaza, nos moldes da Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, em novembro do ano passado, em que autoridades de Israel e palestinos discutiram intenções e diretrizes de um acordo de paz no Oriente Médio.
– Essa gente tem que sentar à mesa com os países que querem construir a paz. É preciso que a gente envolva todas as pessoas que tenham a ver com os conflitos no Oriente Médio para que a gente possa encontrar um caminho – concluiu.