O primeiro-ministro do Líbano, o bilionário Rafik Hariri, renunciou ao cargo nesta terça-feira, abrindo caminho para a formação de um novo governo. O presidente libanês, Emile Lahoud, iniciará, nesta quarta-feira, consultas com membros da Assembléia Nacional, a fim de definir quem deverá ser o substituto de Hariri. Fontes governamentais citaram a possibilidade de uma maioria dos deputados aprovar uma nova indicação de Hariri, que então poderia permanecer no poder como premier interino até a escolha de seu sucessor. Hariri, de 58 anos e que havia sido eleito premier em 2000, entregou a carta de sua renúncia e também a de todo o seu gabinete a Lahoud. Não foi divulgada nenhuma explicação oficial para o afastamento do premier, mas fontes do governo disseram que a manobra já era esperada e acabou sendo adiada em virtude da guerra no Iraque. As mesmas fontes ressaltaram que a decisão de Hariri não teve qualquer ligação com as tensões regionais envolvendo a Síria e a pressão crescente de Washington sobre Damasco, governo agora acusado pelos norte-americanos de manter armas químicas e biológicas. Já para diplomatas estrangeiros, os problemas na Síria podem ter sido um fator determinante para a renúncia de Hariri, uma vez que o premier tem laços com Damasco, os quais são considerados conflitantes com as políticas de Lahoud. Ultimamente, Hariri e Lahoud vinham divergindo sobre uma variedade de questões, como a concessão de contratos de obras de infra-estrutura a amigos e aliados do premier. Hariri, um bilionário que construiu sua fortuna atuando nos ramos da imprensa, construção civil e finanças, ajudou a negociar o Acordo de Taef, em 1989, que pôs fim à guerra civil no Líbano.