Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026

Primeiro balanço de um choque de gestão

Por Marco Aurélio Weissheimer: Dizendo-se inspirada em Anita Garibaldi, a governadora Yeda Crusius (PSDB), aplica um "choque de gestão" no RS. Cortes atingem pesadamente serviços públicos, chegando a deixar escolas sem giz e papel higiênico. Em janeiro, Yeda avisou em uma entrevista: "Fui malvada na eleição e serei dura no governo". (Leia Mais)

Sábado, 14 de Abril de 2007 às 08:59, por: CdB

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), completa cem dias de governo no dia 10 de abril. Segundo ela, a data marca o fim da primeira fase do "novo jeito de governar", caracterizada por cortes de custeio. Os cortes foram drásticos e chegaram a deixar escolas públicas sem giz e papel higiênico. Motoristas da Secretaria Estadual da Saúde estão pagando pedágio e outras despesas do próprio bolso, mesmo sem receber diárias nem salários. Policiais também já denunciaram a falta de pagamento de diárias.

Para a governadora, "os cortes resultaram em mais serviços de várias áreas, com diálogo interno". Várias categorias de servidores, especialmente nas áreas de saúde, educação e segurança, discordam da opinião da tucana. No dia 28 de março, eles lotaram a Praça da Matriz para protestar contra o sucateamento dos serviços públicos e o atraso do pagamento da totalidade dos salários. Oficiais da Brigada Militar e delegados de polícia, entre outros setores, entraram na Justiça contra o parcelamento de salários. Perderam. Diálogo interno? Não perguntem a eles.

Ao falar do balanço de 100 dias, Yeda Crusius antecipou também qual será a marca da segunda etapa do governo: mais cortes. Vem aí a "redução de despesas por processos de gestão". Para tanto, ela firmou um convênio com o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGPQ). Ao assinar a parceria com o presidente do Conselho Superior do PGPQ, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, Yeda anunciou que o programa vai oferecer, até 31 de dezembro de 2010, "consultoria técnica à administração estadual, com enfoque na eficiência e melhoria dos serviços públicos, na redução de despesas e no aumento de receita". A governadora é uma entusiasta dos métodos privados de gerenciamento e, inspirada neles, pretende resolver a crise financeira do Estado com um "choque de gestão". Ela acredita que, assim, resolverá em três anos uma crise construída ao longo dos últimos 30 anos.

Mas o choque de gestão de Yeda começa a assustar. Em uma pequena nota de opinião, o jornal Zero Hora advertiu: "A crise financeira do Estado, que se reflete sobre todo o serviço público e tem desdobramentos que afetam a própria capacidade do governo para cumprir o calendário de pagamentos da folha, chegou a extremos que não podem ser admitidos. A carência de materiais básicos para o funcionamento das escolas é um exemplo disso. Por mais rígido que seja qualquer esquema de contenção de custos, ele não pode chegar ao cúmulo de cortar giz ou de deixar faltar papel higiênico. As autoridades escolares, os professores, os funcionários e os alunos têm razão quando se insurgem contra uma situação como essa. Já não é apenas a falta de professores para determinadas disciplinas (...) A falta de giz, por seu caráter simbólico, é algo não apenas incompreensível, mas intolerável" (ZH, 04/04/2007).

Uma Anita Garibaldi malvada?
Em uma entrevista publicada na revista Isto É (17/01/2007), Yeda Crusius admitiu: "Fui malvada na eleição e serei dura no governo". Dizendo-se inspirada em Anita Garibaldi (ela não chegou a mencionar a relação entre Anita e a idéia de choque de gestão), a governadora prometeu tirar o Rio Grande do Sul da crise. No texto de introdução à entrevista, a revista afirma: "Yeda diz que foi malvada na campanha, ao mostrar que os gaúchos só irão resgatar empregos industriais e relançar a produção agrícola por meio de cortes drásticos em despesas públicas. Agora, depois de ter um pacote de aumento de impostos rejeitado pelos deputados estaduais, Yeda afirma que terá de ser ainda mais dura do que imaginava". A Isto É não chegou a mencionar que Yeda "foi malvada" também ao prometer, durante a campanha, que não aumentaria impostos e que esse era o estilo do "velho jeito de governar". Eleita, mesmo antes de tomar posse, propôs aumento de impostos, sendo derrotada na Assembléia Legislativa.

Nessa entrevista, ela afirmou: "Fui uma malvada na campa

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