O jornal econômico Les Echos, desta segunda-feira, destaca que o primeiro ano do governo de Luíz Inácio Lula da Silva é a "vitória do pragmatismo", onde o presidente brasileiro "brilhou onde era menos esperado. Conduziu uma política econômica ortodoxa eficaz, mas aumentou as frustrações no seu terreno favorito de ação: o social". Para o La Tribune, o primeiro ano de Lula foi excepcional para as exportações brasileiras, porém o mesmo não aconteceu para as indústrias com produção voltada para o mercado interno: "elas sofreram com a austeridade econômica".
O Les Echos avalia que, depois do período crítico das eleições, o "presidente-operário" soube ganhar a confiança dos investidores, administrando um "choque de credibilidade". Um banqueiro inglês, baseado em São Paulo, fala que "aquele que era considerado como um energúmeno é hoje tratado como um fenômeno", cita o jornal. A matéria elogia ainda a atuação de Antônio Palocci, classificado como moderado, e do "austero", Henrique Meirelles, que, juntos, conseguiram controlar a inflação e gerar um excedente orçamentário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), "como exigia o Fundo Monetário Internacional (FMI)".
Outro ponto positivo, apontado pelo Les Echos, foi a aprovação das reformas (tributária e previdenciária) pelo Congresso no fim de 2003. Para o jornal, "governando no centro, Lula construiu uma maioria inédita no Congresso, atraindo até o apoio de uma parte da oposição para modificar o regime de aposentadoria dos funcionários públicos". Porém, a reforma fiscal é ainda tímida, continua o jornal, e está longe de responder às necessidades dos empresários, "mas ela poderá conduzir a uma simplificação do sistema a partir de 2005".
Desempenho econômico
O La Tribune destaca a atuação das exportações brasileiras, que bateram recorde em 2003, com um total de US$ 73 bilhões, alta de 21,1% em relação a 2002. O jornal também ressalta o aumento do excedente comercial, ou seja, US$ 24,8 bilhões.
Já o Les Echos diz que as exportações cresceram 30% em volume e 40% em dólares e ainda, que o País conseguiu conquistar novos mercados, como o México e a China, além de aproveitar a retomada do consumo na Argentina.
O agronegócio foi o setor que apresentou os melhores resultados, afirma o La Tribune, enquanto o Les Echos lembra a performance positiva dos setores siderúrgico, têxtil e papeleiro. Para o jornal, "o setor de mineração atrai cada vez mais investimentos".
Entretanto, os dois jornais lembram que nem tudo é "cor-de-rosa". O crescimento econômico foi quase nulo este ano (menos de 0,5%) e os índices de investimento caíram a um patamar historicamente baixo em junho (menos de 18% do PIB). Além disso, a situação do mercado de trabalho se deteriorou e "a taxa de desemprego passou em um ano de 11,8% a 12,4%". Mas os dois periódicos estão de acordo ao afirmarem que o cenário é otimista para 2004, com uma previsão de crescimento de 3% do PIB e com os investimentos estrangeiros passando de menos de US$ 10 bilhões, em 2003, para mais de U$ 15 bilhões, em 2004.
Política Externa
"Estilo eficaz", esta é a qualificação do Les Echos para a política externa do governo Lula, tanto no âmbito diplomático, quanto no econômico. O jornal diz que o País se afirma como o líder das nações em desenvolvimento, principalmente nos encontros multilaterais. Segundo o La Tribune, para que as reuniões futuras da Organização Mundial do Comércio (OMC) dêem certo, as negociações deverão ser feitas sob novas bases, levando em conta a mudança da relação de força em favor dos países do sul, que - liderados pelo Brasil - partiram em "cruzada" contra os subsídios agrícolas europeus e norte-americanos, por exemplo. O Les Echos conclui dizendo que o Brasil quer firmar a sua imagem de "potência regional", reforçando a unidade dos países do Mercosul