A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou, nesta quinta-feira, sua estimativa para a safra 2009/10 de soja do Brasil para um recorde de 65,1 milhões de toneladas, contra 64,5 milhões de toneladas na previsão de dezembro, com chuvas em bom volume nas principais regiões de produção favorecendo a safra de verão. Em 2008/09, a produção total da oleaginosa atingiu 57,2 milhões de toneladas. A área destinada à produção de soja neste ano-safra apresenta um crescimento de 6,1% ante 2008/09, para 23 milhões de hectares.
Segundo a Conab, essa é a segunda maior área cultivada com o grão, atrás dos 23,3 milhões de hectares plantados em 2004/05.
"O Instituto Nacional de Meteorologia-INMET prevê chuvas acima do normal, situação que poderá beneficiar as lavouras (...). Para a safra que está sendo cultivada, as chuvas ocorridas até o mês de dezembro beneficiam o desenvolvimento e o crescimento das plantas", disse a instância de governo, em nota.
O aumento da área de produção é observado em todos os Estados que produzem a oleaginosa, com destaque para o Paraná, onde a estimativa é de um crescimento de 313,3 mil hectares (total de 4,4 milhões), seguido do Mato Grosso, com alta de 311,2 mil hectares (total de 6,1 milhões). O Mato Grosso lidera o ranking de produção nacional, com um volume estimado em 18,65 milhões de toneladas, seguido do Paraná com 13,28 milhões.
As exportações em 2009/10 estão previstas em 25,9 milhões de toneladas, e o esmagamento em 32,9 milhões. Já a produção total nacional de milho em 2009/10 foi projetada em 50,5 milhões de toneladas, leve alta ante a estimativa anterior de 50,1 milhões de toneladas. Na temporada passada foram produzidas 51 milhões de toneladas
A área destinada ao plantio da primeira safra de milho foi reduzida em 10,7% ante 2008/09, para 8,3 milhões de hectares, devido segundo a Conab ao excesso do produto no mercado e aos preços praticados, abaixo do esperado pelos produtores.
"O menor custo por hectare comparativamente ao do milho, a maior liquidez no mercado, maior resistência a estiagem são fatores que justificam a substituição do milho pela oleaginosa", explicou a Conab.
Área de plantio
Em seu quarto levantamento para a safra atual de grãos, a Conab estimou a produção total do Brasil em 141,3 milhões de toneladas, contra 140,6 milhões na estimativa do mês passado. Essa será a segunda maior produção da história, ficando atrás apenas de 2007/08, quando o país colheu 144,1 milhões de toneladas de grãos. A área de plantio nesta temporada está estimada em um total de 47,88 milhões de hectares, 0,4% a mais do que em 2008/09.
O órgão do governo destacou entretanto que o alto índice de chuvas associado às altas temperaturas tem favorecido o aparecimento de doenças. A safra 2009 de trigo, cuja colheita está concluída, foi levemente reduzida, passando de 5,1 milhões de toneladas em dezembro para 5 milhões. A área cultivada com trigo atingiu 2,4 milhões de hectares.
"O excesso de precipitações impediu que os produtores aplicassem o tratamento fitossanitário adequado à proteção da cultura, ficando exposta ao ataque de doenças", destacou a Conab, afirmando que a qualidade do produto foi comprometida.
Recorde
Ainda segundo a Conab, o Brasil pode registrar este ano produção recorde de café. De acordo com a primeira estimativa da Companhia para a safra 2010 do grão, a colheita deve ficar entre 45,89 milhões e 48,66 milhões de sacas de 60 quilos do produto beneficiado. O cultivo foi favorecido pelo regime de chuvas regulares na primavera, coincidindo com a fase de floração nas regiões produtoras, e pode ultrapassar o recorde atual, do ciclo 2002/2003, de 48,48 milhões de sacas.
No ano passado foram colhidos 39,47 milhões de sacas. A diferença de até 23,3% em relação à estimativa atual se deve, principalmente, ao ciclo bienal da cultura, com um ano de grande florada nos cafezais seguido por outro com pequena florada. Isso porque a planta precisa de 12 meses para se recuperar e voltar a produzir.
Mesmo com a grande quantidade de café produzida, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, acredita que o preço pago ao produtor não deve cair.
– Temos uma meta de comprar até 10 milhões de sacas e temos recursos para isso, que devem ser utilizados como instrumento para a boa comercialização e manutenção do preço, de acordo com as necessidades e no momento certo – afirmou.
Para o ministro, os bancos que financiam a atividade “terão que ser mais competentes para fazer com que o crédito de colheita e comercialização chegue na hora certa na mão dos produtores”. Stephanes disse esperar que os problemas vivenciados nos anos anteriores, de atraso na liberação de recursos, sirvam de lição para este.