A primeira judoca brasileira a ganhar uma medalha olímpica individual e a ganhar uma medalha em Pequim ainda não sente o peso da vitória histórica. Ketleyn Quadros conquistou medalha de bronze depois de passar na semifinal da repescagem e vencer a australiana Maria Pekli na categoria leve feminino.
- A ficha ainda está caindo. Não tenho a dimensão disso tudo, mas tenho o gostinho que é da medalha, que eu senti ali no pódio - disse a atleta em entrevista coletiva nesta terça-feira.
Ketleyn contou que já havia treinado ou competido com praticamente todas as adversárias graças ao trabalho de preparação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), o que ajudou na conquista.
- Com aquelas que eu não tinha contato, a comissão técnica correu atrás de vídeos e a gente tentou adaptar da melhor forma. Sei que foi fruto de um trabalho muito forte, então eu estava confiante - revelou.
O apoio da família e dos amigos também foi fundamental, disse Ketleyn, que mora desde 2006 em Belo Horizonte, longe das pessoas queridas.
- Eu saí de Brasília mesmo só por falta de estrutura e atrás de um sonho. Ficar longe da família e não fazer tudo direitinho não fazia sentido. A saudade me serviu como superação - disse a judoca.
Ela começou a treinar ainda criança em Ceilândia, no Distrito Federal. A escolha por um esporte tipicamente masculino inicialmente assustou a mão da atleta, Rosemeire de Oliviera Lima.
- Foi uma surpresa, tinha muito medo de ela se machucar, achava violento, agressivo. Quando ela caia no tatame achava que estava quebrando alguma coisa. Ela me dizia para ter calma e o professor dela me explicava que ela não ia se machucar, que estava ensinando ela a se defender. Eu ia assistir às aulas e fui me acostumando com essa rotina de judô até ela chegar aqui - relata.
- Todas as mães brasileiras têm direito a esse orgulho, e elas terão - diz confiante
Ketleyn e a mãe devem ficar mais uns dias em Pequim. A atleta quer torcer pelos brasileiros que ainda estão competindo e apoiar as demais meninas da equipe brasileira de judô.
- Quero acompanhar as minhas parceiras, passar essa energia positiva que vai dar tudo certo. E segura o coração - disse.
A treinadora Rosiclea Campos também saiu de alma lavada com a medalha feminina de bronze. Segunda ela, o judô feminino estava bastante desacreditado e isso só começou a mudar a partir dos Jogos Panamericanos, ano passado, no Rio de Janeiro, quando as judocas do Brasil conquistaram sete medalhas.
- Tenho certeza de que a gente pode esperar por mais felicidades, não só do feminino, mas do masculino também - afirmou otimista.