Uma Parati superlotada e calma. A primeira edição da Festa Literária Internacional terminou no último domingo depois de quatro dias em que cerca de 10 mil pessoas circularam pela cidade, mas não alteraram o ritmo do centro histórico preservado a correntes contra a predação de veículos e o delírio imobiliário.
O público, que veio de todos os cantos do país e do mundo, aprovou o cenário como lugar para a realização da festa da literatura no Brasil. O ambiente aconchegante de Parati é o que mais conta na opinião dos participantes.
O escritor inglês Julian Barnes descorreu elogios sobre a integração que a cidade permite entre autor, rua, leitor e passante, 'o que não seria possível em uma cidade grande'.
Para o ano que vem, o diretor artístico da FLIP, Flávio Pinheiro, só adianta que a festa vai acontecer e que serão corrigidos os erros dos 'marinheiros de primeira viagem'.
Por exemplo, a relação desequilibrada entre público e ingresso. Os dois auditórios da Casa de Cultura só comportavam 300 pessoas e muita gente teve que ouvir as palestras pelo telão instalado na tenda armada, de última hora, na praça da Matriz. Sem tradução simultânea.
Isso irritou a farmacêutica Elisabeth Van Berg Soares, 51 anos, que saiu do Rio com mais três amigas e não conseguiu ingresso para assistir, frente a frente, nenhum dos escritores que pretendia.
- Se era uma coisa tão restrita, não deveriam ter divulgado. Isso é propaganda enganosa - reclamou Elisabeth.
A população local também gostaria de estar mais envolvida na festa. O vigário Francisco, 42 anos, foi o primeiro a acusar o golpe da desarticulação entre o comando da FLIP e a comunidade.
Ele lembrou que o pessoal da Mostra de Cinema, realizada em julho, foi à igreja e na hora da missa, convidou a população a participar.
- Em Parati, falar da população é quase o mesmo que dizer fiéis. São muito fervorosos - atesta padre Francisco, que não perde a oportunidade para lembrar que não pode dar opinião sobre a festa porque 'infelizmente, não tem informação suficiente para isso'.
Parati é uma cidade de festas paroquiais,são 38 durante todo o ano e é recomendável pedir benção ao padre.Flávio Pinheiro não concorda com as queixas. Diz que a população foi envolvida no máximo que pode ser em uma reunião, assim que ficou decidida a realização da festa.
Mesmo assim, dentre as únicas resoluções já definidas para o próximo ano, está o aumento de atividades com a comunidade.
Quanto à data, não será a mesma. De acordo com os organizadores, a segunda edição da FLIP pode ocorrer entre junho e agosto. Além disso, se o patrocínio permitir, o sotaque da festa não será restrito à anglofonia. Escritores de todo o mundo serão convidados a participar do evento que já passou a fazer parte do calendário nacional.
Primeira edição da Festa Literária Internacional faz sucesso em Parati
Domingo, 03 de Agosto de 2003 às 22:14, por: CdB