Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

Primavera palestina

Terça, 17 de Maio de 2011 às 08:51, por: CdB

Neste cenário, mais favorável à luta pela libertação da Palestina, a solidariedade internacional pode fazer uma enorme diferença

 

 

17/05/2011

 

Igor Fuser

 

A “primavera árabe” foi recebida no mundo inteiro com um forte sentimento de entusiasmo, despertado pela queda dos ditadores na Tunísia e no Egito e pelas gigantescas manifestações por democracia e justiça em todo o Oriente Médio. No momento seguinte, muitos dos que aplaudiam aquelas rebeliões populares se viram perplexos em face do complicado cenário político da região. De fato, para quem pensa e age a partir de valores socialistas, é difícil adotar alguma atitude diante de situações como o conflito na Líbia, em que um levante contra a tirania de Kadafi abriu espaço para uma intervenção militar imperialista.

Ainda assim, o vendaval de rebeldia que sopra no mundo árabe continua a produzir bons frutos. O mais recente deles acaba de brotar na Palestina, com a reconciliação entre os grupos políticos Al Fatah e Hamas e, em seguida, a decisão do governo provisório do Egito de abrir sua fronteira com a Faixa de Gaza, fechada há quatro anos.

O acordo entre as duas facções se deve, em grande parte, à pressão do próprio povo palestino, mas tem a ver também com o enfraquecimento da posição internacional de Israel. A queda de Mubarak privou os sionistas do seu maior aliado na região, ao mesmo tempo em que deixou em apuros os governos conservadores árabes, sempre coniventes com os abusos de Israel. Se quiserem ficar no poder, esses dirigentes serão obrigados a levar em conta os anseios dos seus povos, intensamente pró-palestinos. Tudo isso reduz bastante a margem de manobra de Israel. É difícil imaginar, agora, a repetição de agressões na mesma escala da genocida ação militar israelense na Faixa de Gaza, em 2009, que deixou o trágico saldo de 1.400 mortos, na imensa maioria civis.

Neste cenário, mais favorável à luta pela libertação da Palestina, a solidariedade internacional pode fazer uma enorme diferença. Ganham importância iniciativas como a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), para a qual o Brasil teria muito a contribuir. A brutal ocupação da Palestina é uma injustiça gritante, uma indignidade que provoca revolta em qualquer pessoa decente. É hora, mais do que nunca, de pressionar a diplomacia de Brasília a adotar posições mais assertivas em favor da causa palestina.

 

Igor Fuser é jornalista, professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

 

Texto publicado originalmente na edição 428 do Brasil de Fato.

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