Previsões sem bola de cristal - Aceita o Ano Novo?
Por Mário Augusto Jakobskind e Ana Helena Tavares - Não é preciso nenhuma bola de cristal para prever alguns procedimentos midiáticos em relação ao ano de 2015 que logo se inicia. Analistas de sempre continuarão criticando a todo vapor a política externa brasileira. Vladimir Putin, parceiro do Brasil nos Brics, seguirá sendo um dos principais vilões do cenário internacional.
Colunista arrisca fazer algumas fáceis previsões políticas para 2015
Não é preciso nenhuma bola de cristal para prever alguns procedimentos midiáticos em relação ao ano de 2015 que se inicia.
Analistas de sempre continuarão criticando a todo vapor a política externa brasileira. Vladimir Putin, parceiro do Brasil nos Brics, seguirá sendo um dos principais vilões do cenário internacional.
No Brasil, os históricos detratores da Petrobras continuarão aproveitando o embalo da corrupção de alguns delinquentes, como o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que trabalhavam na estatal em proveito próprio para seguir tentando a privatização da empresa petrolífera.
Os jornalões e telejornalões, que por sinal sempre se colocaram contra a Petrobras apesar de receberem anúncios da mesma, não vão descansar enquanto não conseguirem pelo menos o retorno da extração do petróleo pelo regime de concessão, ou seja, com todo o poder às empresas estrangeiras na exploração do pré-sal, como no tempo tucano de Fernando Henrique Cardoso.
As editorias internacionais continuarão praticamente ignorando certos acontecimentos e análises que contrariam o senso comum. A Rússia, o Irã, ultimamente sem notícias, e a Venezuela serão os países a serem apresentados como atravessando “crises políticas financeiras terminais”.
No caso da Venezuela, aproveitando o embalo da redução do preço do petróleo, graças à Arábia Saudita atendendo exigências do Departamento de Estado norte-americano, o governo continuará sendo apresentado como na antevéspera de sair de cena.
As fontes dos jornalões e telejornalões continuarão sendo os opositores de sempre, como a ex-deputada Maria Corina Machado, que está mobilizada objetivando a renúncia do Presidente Nicolás Maduro.
Os espaços midiáticos nacionais, da mesma forma que em outros países, omitirão o verdadeiro motivo que a levou a perder o mandato, ou seja, por ter se apresentando na OEA como representante do governo do Panamá, o que é vedado pela Constituição venezuelana alguém que exerça cargo público representar outro país onde quer que seja. A opositora do regime venezuelano prefere aparecer como vítima.
Já no Oriente Médio, especialmente na região onde se prolonga o interminável conflito palestino israelense, jornalões e telejornalões omitirão fatos que levem leitores e telespectadores terem mais informações para melhor entendimento do complexo problema.
Em março, por exemplo, eleitores em Israel vão escolher novamente seus representantes no Parlamento, eleição antecipada por motivo de divisões na esfera do governo extremista de Benyamin Netanyahu.
Um setor mais a direita no espectro político quer de todas as formas fazer com que o Estado de Israel seja considerado um Estado judaico, o que consequentemente acarretará ainda maior preconceito a outros cidadãos do país.
Nesse sentido, vale conhecer o pensamento do historiador e escritor israelense Shlomo Sand exposto em seu mais recente livro intitulado, ”Como deixei de ser judeu”, a ser lançado no Brasil pela editora Benvirá .
Sand se opõe à ideologia sionista ao colocar em xeque o conceito defendido por segmentos políticos que querem definir Israel “não como um Estado de todos os cidadãos, mas como dos cidadãos judeus”.
Ou seja, conforme assinala em uma entrevista na revista Carta Capital, Sand diz que “Hitler venceu a guerra ideológica, pois, exatamente como os nazistas, os sionistas consideram a identidade judaica como algo à parte, uma etnia e mesmo às vezes com bases raciais".
Segundo informa o historiador "na Universidade de Tel Aviv há laboratórios que pesquisam desesperadamente o DNA judeu para provar que os judeus são um povo-raça".
Na longa e rara entrevista publicada no Brasil explicando o seu mais recente livro, Sand observa que vive num Estado que se define como "Estado Judaico". E prossegue: “Ora, um quarto da população não é considerada judia e não pode tornar-se judia, senão pela conversão. Como sou um cidadão de um Estado que se define como judaico, sou um cidadão privilegiado porque o Estado não pertence aos seus cidadãos árabes nem cristãos. Como minhas origens são judaicas, isto é, sou descendente de pessoas que sofreram muito tempo essa política segregacionista que perseguiu os judeus, não quero ser judeu num Estado Judaico. Se esse Estado fosse de todos os cidadãos israelenses, não teria escrito esse livro”.
Na verdade, Shlomo Sand chama a atenção sobre o que está acontecendo neste momento em um país cujos dirigentes, a todo momento, tentam convencer a opinião pública que são vitimas, quando estão muito mais para algozes, no caso dos palestinos.
No III Reich nazista, comenta Shlomo Sand, Adolf Hitler tinha decidido que os alemães judeus não eram alemães, que eram uma raça à parte, uma etnia à parte, um povo à parte. O alemão judeu não estava de acordo com isso, sentia-se alemão, era um cidadão alemão, tinha uma nacionalidade alemã.
Agora aparecem os sionistas e colocam em pauta o mesmo conceito que os nazistas, ou seja, consideram a identidade judaica como algo a parte, uma etnia e mesmo às vezes com bases raciais.
Shlomo Sand com suas reflexões ajuda leitores e telespectadores envenenados pela máquina do senso comum e da vitimização a tentarem entender melhor os acontecimentos que se agravaram em 2014 e cujas perspectivas para ano próximo não são nada animadores.
Por estas e algumas outras é perfeitamente possível prever alguns acontecimentos para 2015 mesmo não tendo uma bola de cristal ao lado.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , será lançado dia 17, no Rio de Janeiro.
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ACEITA O ANO NOVO?
Por Ana Helena Tavares
Quer vir por aí um verdadeiro ano novo
Aurora de vida, aurora de começo
Aquele que, do ninho, é único ovo
Aquele que nasceu para o seu endereço.
Mas você o aceita
ou você o enjeita?
Quantas vezes você ri de si mesmo
achando que solta o riso a esmo?
E, assim, dos novos faz velhos,
não avança nem alcança
As pedras que poderiam
construir castelos.
Foi mal-vivido seu ano passado?
Faz novo, faz lavado…
Foi sem-sentido seu ano antigo?
Embaralha-o, joga pro alto, qual o perigo?
O perigo é ficar olhando o novo chegar
“Vou fazer regime segunda-feira”
Os janeiros ficam a nos esperar
“Mas que adianta se como bolo na terça-feira?”
Não aceite pinturas, remendos de um ano novo fajuto
Há que se plantá-lo a cada minuto, a cada segundo
Preste atenção às formiguinhas com olhar astuto
Como acha que elas sobrevivem nesse mundo?
Dentro é que importa, o fora não chora
Aparência não vale um sorriso
Quanto mais lágrimas de paraíso
Lágrimas de renovação, de um ano que foi embora
E foi bem-vivido o seu ano?
Faz novo também, torce o pano.
E fez sentido seu ano que ficou pra trás?
Embaralho-o também, nada que faz muito sentido é bom demais.
Um pouco de bagunça também é bom
Mas, epa, há um figurino…
Comer, passear, ficar no bem bom…
Até parece que é só isso o destino…
Figurino de trabalho, figurino de estudo
Tudo isso terá no ano vindouro…
E por que não? Mas abra os braços sem escudo…
E tudo isso será tesouro.
Você não precisa se embebedar na virada
Tudo que o ano novo quer é que você empilhe as pedras da estrada.
Ana Helena Tavares, jornalista, conhecida por seu site de jornalismo político Quem tem medo da democracia?, com artigos publicados no Observatório da Imprensa e na extinta revista eletrônica Médio Paraíba. Foi assessora de imprensa e repórter dos Sindicatos dos Policiais Civis e dos Vigilantes. Universitária, entrevistou numerosas pessoas que resistiram à ditadura e seus relatos (alguns reproduzidos na Carta Capital e Brasil de Fato) serão publicados brevemente num livro.Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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