Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Previsão de IPCA sugere aumento de juro

O Banco Central disse que o distanciamento das projeções de inflação, tanto da autoridade monetária quanto do mercado, do centro da meta pode requerer um aumento de juro no curto prazo. O mercado leu os comentários, feitos no Relatório de Inflação do quarto trimestre, como um sinal de que um aumento da Selic pode acontecer já em janeiro.

Quarta, 22 de Dezembro de 2010 às 08:59, por: CdB
O Banco Central disse que o distanciamento das projeções de inflação, tanto da autoridade monetária quanto do mercado, do centro da meta pode requerer um aumento de juro no curto prazo. O mercado leu os comentários, feitos no Relatório de Inflação do quarto trimestre, como um sinal de que um aumento da Selic pode acontecer já em janeiro. No documento, o BC elevou sua previsão para a inflação brasileira em 2011 para 5,0%, ante 4,6% antes. A estimativa para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou para 5,9%, contra 5% no trimestre anterior. A meta de inflação dos dois anos tem centro em 4,5% e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. – O Copom avalia que o balanço de riscos associado ao cenário prospectivo para a inflação evoluiu desfavoravelmente desde a divulgação do último relatório. Tanto no cenário de referência (do BC), quanto no cenário de mercado, as projeções incorporam os efeitos estimados da recente elevação dos compulsórios e de um esforço fiscal. Ainda assim, nos dois casos, os valores projetados se posicionam acima da meta –, afirmou o documento. – É importante destacar que, no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação. Essa foi a frase de destaque do relatório, segundo os analistas, e sinaliza que o BC está dando ao mercado o recado de que a Selic vai subir, e logo.  – Ele deixou bem explícito que deve aumentar o juro no curto prazo e acho que deixou uma indicação clara de que seria em janeiro. A estimativa dos efeitos das políticas macroprudenciais esperados já estão incorporados nas projeções e mesmo assim, a (previsão de) inflação segue acima (do centro) da meta –, disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin. A Selic está atualmente em 10,75%. Até agora, a maior parte do mercado vinha trabalhando com uma elevação em 2011, mas sem consenso sobre quando. Depois da adoção das medidas prudenciais, em dezembro, com aumento do depósito compulsório e encarecimento do crédito à pessoa física de longo prazo, alguns analistas passaram a prever um aumento em março, enquanto outros mantiveram a projeção para janeiro. Nesta manhã, alguns já começaram a voltar o cenário para janeiro. O BC também notou que persistem riscos de descompasso entre crescimento da absorção doméstica e capacidade da expansão da oferta. Para o Produto Interno Bruto (PIB), o BC manteve sua previsão de expansão em 2010 de 7,3%. Para 2011, o BC fez sua primeira estimativa neste documento, de crescimento de 4,5%.
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