Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Previdência será lida nesta segunda no Plenário do Senado

Os senadores do bloco de sustentação do governo bem que se esforçaram para garantir que a reforma da Previdência tramitasse nos prazos normais no Senado, mas o calendário vai atrasar em pelo menos uma semana por causa de um problema com o qual a base aliada não contava: o excesso de trabalho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). (Leia Mais)

Domingo, 12 de Outubro de 2003 às 07:32, por: CdB

Os senadores do bloco de sustentação do governo bem que se esforçaram para garantir que a reforma da Previdência tramitasse nos prazos normais no Senado, mas o calendário vai atrasar em pelo menos uma semana por causa de um problema com o qual a base aliada não contava: o excesso de trabalho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Por falta de pessoal para sistematizar rapidamente o texto aprovado pelos senadores, a proposta de emenda constitucional (PEC) só foi enviada à Secretaria Geral do Senado na última sexta-feira e deve ser lida amanhã no plenário da Casa. Depois da leitura na Ordem do Dia, a PEC segue para publicação no Diário do Congresso.

A partir de então, é preciso esperar mais cinco dias úteis para que a matéria entre em discussão no plenário. Com este inesperado atraso, o início das discussões sobre a emenda, previsto para quarta-feira, fica para terça-feira da próxima semana.

Discutir, no Senado, não é votar. Durante cinco sessões os senadores apenas discutem a matéria. Neste prazo, são encaminhadas as emendas de plenário, que deverão retornar à CCJ para nova análise dos senadores. Durante a avaliação das emendas de plenário ¿ para apresentar uma emenda são necessárias 27 assinaturas de senadores ¿ o processo de avaliação do texto já aprovado fica suspenso.

O relator Tião Viana (PT-AC) tem o prazo máximo de 30 dias para emitir um novo parecer sobre as emendas, mas já adiantou que pretende fechar sua avaliação das sugestões em no máximo 10 dias. Foi a maneira encontrada pelo senador de dar mais rapidez ao processo, já que a primeira fase de votação na CCJ consumiu três semanas e o governo acabou surpreendido pelo volume de trabalho na Comissão.

Aprovadas ou rejeitadas as emendas de plenário, a reforma da Previdência volta para a Ordem do Dia, já em votação. Vale lembrar que as emendas que forem rejeitadas na CCJ podem ser destacadas e votadas novamente em plenário.

Mesmo com a apresentação da PEC paralela com as mudanças acertadas entre governo e oposição, a batalha por alterações na PEC original da reforma não deve ser encerrada. O PFL promete trabalhar para que as regras de transição da reforma sejam alteradas em plenário e o PMDB luta para encontrar uma solução para o subteto do funcionalismo público estadual no texto principal.

A tramitação da PEC paralela e as alterações nela apresentadas são o ponto o maior de polêmica no Senado quanto à reforma da Previdência. O PFL argumenta que existe parecer do ex-presidente da Câmara, Michel Temer, de "puxar" de volta para as mãos dos deputados apenas as emendas que forem aprovadas na reforma e promulgar o restante que foi aprovado sem alterações tão logo o segundo turno no Senado seja encerrado.

O relator Tião Viana, no entanto, contra-argumenta que a proposta dos pefelistas é inconstitucional e que a única maneira de tramitar as mudanças com agilidade é por meio da PEC paralela. A alteração ou manutenção do texto atual vai acabar sendo mesmo decidida no voto.

A apresentação da PEC paralela em si foi polêmica. Divulgada uma versão preliminar na segunda-feira, a proposta alternativa realmente apresentada na terça-feira pelo relator Viana continha um detalhe curioso: a possibilidade dos estados e municípios de aumentarem os percentuais de contribuição dos ativos e inativos, caso as contas públicas estivessem em risco.

Como o artigo gerou uma série de dúvidas e interpretações distintas dentro da própria base aliada, Tião Viana apresentou uma nova versão com o "erro" de redação corrigido. No texto final, ao invés de falar em permissão para fixar percentuais superiores aos 11% da União em caso de risco para as contas públicas, a PEC paralela fala em permissão para fixar percentuais inferiores mediante a iminência de um colapso das contas dos Estados e Municípios. A PEC paralela, no entanto, não esclarece mais se existe alguma proibição para governadores e prefeitos fixarem percentuais acima dos 11% cobrados pela União.

O primeiro turno

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