O presidente da Previ, Sérgio Rosa, estima desembolsar entre R$ 480 e R$ 500 milhões para não ver diluída a participação do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil na Brasil Foods (BRF), gigante do setor de alimentos criada a partir do negócio entre Perdigão e Sadia. Sócia das duas companhias, a Previ se tornou a principal acionista individual da nova empresa sem desembolsar recursos --as negociações se deram por troca de ações.
A BRF nasce com faturamento de mais de R$ 20 bilhões e, segundo Rosa, vai trazer maior valor agregado para os participantes do fundo.
– Demos um passo muito importante, e a expectativa é de que haja valorização desse ativo, porque ela vai ampliar mercado, temos uma crença forte de que a operação vai gerar valor maior para os acionistas – afirmou o executivo.
A oferta pública da Brasil Foods está prevista para meados de julho e prevê arrecadar R$ 4 bilhões. A Previ tem atualmente cerca de 12% do total da nova empresa. Dona de grande parte do mercado de carnes brasileiro, mas com forte foco em exportação, a Brasil Foods não deverá enfrentar obstáculos expressivos no Conselho Admistrativo de Defesa Econômica (Cade), na avaliação de Rosa.
– Obviamente as empresas fizeram uma análise anterior e acreditam que perante o que existe hoje na legislação não vai ter problema – informou, antecipando que uma campanha publicitária já está sendo montada para apresentar a nova marca ao mercado.
A Brasil Foods vai exportar 42% da sua produção, segundo informaram os acionistas no dia do anúncio do negócio, e no mercado interno terá mais de 50% em todas os segmentos que atua – pizzas, massas prontas, congelados e industrializados de carne – com exceção do setor de lácteos, onde apenas a Perdigão tem produtos e detém 13,3% do mercado.
Apesar de envolver muitas pessoas, entre famílias e acionistas fortes como a Previ e o fundo de pensão da Petrobras, Petros, Rosa classificou os meses de negociações que antecederam a operação como "complexo mas nada traumático", e disse que agora é hora de encontrar as sinergias entre as companhias.
– No geral, a nossa avaliação é que não haverá problemas para a união das duas empresas e agora é ver as sinergias que serão encontradas – finalizou.
Os presidentes da Sadia e da Perdigão, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan e Nildemar Secches, respectivamente, realizaram nesta sexta-feira uma primeira apresentação ao Cade.Eles têm até 15 dias a partir da publicação do fato relevante do negócio, anunciado na terça-feira, para encaminhar a notificação formal da operação ao órgão.