Apesar do relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) destacar o Brasil como modelo de combate ao trabalho escravo, as autoridades brasileiras reconhecem que as ações governamentais devem estar voltadas também para a prevenção. Para o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, "a prevenção é o grande caminho daqui pra frente".
De acordo com ele, já existem programas pilotos em municípios do Maranhão e Piauí que poderiam ser levados a outros Estados.
- Temos uma atividade para, através de escolas, alertar sobre os gatos (agenciadores), sobre o perigo do engano, da manipulação.
Nilmário Miranda ressalta a importância de programas que estimulam a população a obter a documentação civil.
- São programas também para a auto-estima dos trabalhadores. O trabalhador analfabeto, sem documentos, acredita não ter direito nenhum. O que sobra para ele é o trabalho degradante, o trabalho escravo, e não podemos admitir isso. Temos que passar para ele a segurança de que todas as pessoas são iguais perante a lei.
Os programas de geração de renda também são formas de prevenção ao trabalho escravo, já que o estudo da OIT mostra que a pobreza é um dos fatores que levam à exploração da mão-de-obra.
- Sabendo da vulnerabilidade desses trabalhadores, esses gatos, esses aliciadores de mão-de-obra, procuram recrutar os trabalhadores em municípios muito pobres, em que sabem que qualquer promessa poderá ser aceita para garantir a sobrevivência dessas famílias. Quando esses trabalhadores chegam aos municípios de destino, a realidade é outra e eles não podem mais voltar - explicou a coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil, Patrícia Audi.
O relatório Uma Aliança Global contra o Trabalho Escravo, divulgado nesta quarta-feira (11) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta o Brasil como modelo a ser seguido no combate ao trabalho escravo. Lançado simultaneamente em Genebra (Suíça), sede da OIT, e em Brasília, o relatório traz a estimativa do governo brasileiro de que existem no país 25 mil pessoas em condições de trabalho escravo.
Prevenção é o caminho contra trabalho escravo, diz Nilmário Miranda
Quarta, 11 de Maio de 2005 às 12:17, por: CdB