Governador preso e prestes a ser cassado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) conta os dias, 20 ao todo, para apresentar sua defesa no processo de impeachment aberto contra ele na Câmara Legislativa do DF. Arruda, acusado de comandar um esquema de pagamento de propina, foi notificado na tarde passada, à revelia, sobre o processo, após se recusar novamente a receber a notificação acerca de seu processo.
O primeiro-secretário da Câmara, Batista das Cooperativas (PRP), foi até a Superintendência da Polícia Federal para formalizar a abertura do processo, mas Arruda se recusou a assinar o recibo. O encontro entre Arruda, Batista e duas testemunhas durou cerca de uma hora na sede da PF.
– O governador se recusou a assinar o documento. Nós o intimamos e agora ele tem um prazo de 20 dias úteis para apresentar a defesa – disse Batista aos jornalistas, na saída do encontro.
Exames clínicos
Após a citação, Arruda deixou a sede da PF para realizar exames no Hospital Juscelino Kubitschek. Ele reclamou de dores no tornozelo, que apresentava inchaço e vermelhidão. Os médicos da PF o conduziram para exames que duraram uma hora e meia. Os resultados ainda não foram divulgados.
Batista chegou a dizer que temia pela vida do aliado, que apresenta um quadro de diabetes avançado, com suspeita de trombose, que é a formação de coágulos de sangue nos pés.
– Temo pela vida do governador. Eu fiquei preocupadíssimo com o estado de saúde do governador. Ele apresenta um estado avançado de diabetes e está caminhando para uma trombose nos pés, que estão absurdamente inchados – disse.
Ainda segundo Batista, Arruda está em "estado deplorável" e apresenta sinais de depressão.
– Não vou entrar no mérito de culpado ou inocente. O homem que eu encontrei não é o mesmo que deixei na carceragem da Polícia Federal na sexta-feira. Ele está em um estado deplorável. Não estou falando de maus tratos, mas me assustou o estado em que ele se encontra – concluiu.