Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Pressionado, Villepin mostra sinais de que pode ceder

Primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin deu sinais nesta terça-feira de estar aberto à idéia de reformar a lei sobre o contrato de trabalho para jovens, combatida por estudantes e sindicalistas. O grande setor de funcionários públicos do país deve participar da greve de um dia marcada para 28 de março. (Leia Mais)

Terça, 21 de Março de 2006 às 07:41, por: CdB

Primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin deu sinais nesta terça-feira de estar aberto à idéia de reformar a lei sobre o contrato de trabalho para jovens, combatida por estudantes e sindicalistas. O grande setor de funcionários públicos do país deve participar da greve de um dia marcada para 28 de março. Também nesta terça-feira, alunos de colegial realizaram protestos de rua em todo o país para exigir que Villepin cancele o contrato. Esse contrato, segundo os manifestantes, fez diminuir a segurança empregatícia para os jovens.

O premiê reuniu-se com estudantes e empregadores na segunda-feira. E jornais disseram que o governo pode estar aberto à idéia de encurtar o período de experiência dos funcionários jovens, de dois anos para 12 meses, e à idéia de obrigar os patrões a justificar as demissões.

- Estamos observando. Estamos ouvindo todo mundo. Estamos em um período de adaptação - afirmou o ministro das Finanças do país, Thierry Breton, à rádio Europe 1.

A ministra francesa do Comércio, Christine Lagarde, em entrevista concedida ao jornal Le Parisien, acrescentou:

- A melhor forma de superarmos essa crise é por meio da experimentação, da avaliação e da adaptação - disse .

Os índices de popularidade de Villepin caíram muito desde que o Contrato do Primeiro Emprego, conhecido como CPE, foi aprovado pelo Parlamento. A crise pode prejudicar os planos dele de concorrer à Presidência da França em 2007 e gerou desconforto dentro do partido governista UMP. Sugestões de que o governo estava disposto a modificar a lei apareceram um dia depois de o presidente do país, Jacques Chirac, ter repetido seu apoio a Villepin e ter renovado seus apelos para que as pessoas contrárias ao novo contrato aceitem negociar.

Segundo Chirac, a lei, que permite aos empregadores demitir pessoas com menos de 26 anos de idade, sem justa causa, nos primeiros dois anos de contrato, apontava para a determinação do governo em combater as taxas de desemprego no país, que chegam a 9,6 por cento.

Greve geral

Organizações estudantis e líderes sindicais afirmam que o CPE criaria uma geração de trabalhadores descartáveis e prometem continuar com suas ações até o governo ceder. Uma pesquisa divulgada na segunda-feira mostrou que 60% dos eleitores franceses desejavam o fim do novo contrato. Uma outra pesquisa, porém, sugeriu que grande parte das pessoas queria apenas que o governo alterasse a lei.

Sindicatos convocaram uma greve geral para a próxima terça-feira e o funcionalismo público do país, entre os quais os trabalhadores da área de transporte, devem participar dela. Não se sabe ainda qual será a adesão do setor privado ao protesto. Questionado sobre se o dia nacional de ação, na terça-feira, seria uma greve geral, Bernard Thibault, chefe do sindicato CGT (o maior do país), afirmou não estar interessado em jogos de palavras.

- Não vamos brincar com as palavras: um dia de ação interprofissional com paralisação no trabalho, greves e protestos será geral se convencermos os trabalhadores assalariados a aderir a essas formas de ação - afirmou à rádio France Info.

Thibault disse acreditar que o governo abandonará a lei se houver pressão suficiente. Estima-se que entre 1 milhão e 1,5 milhão de pessoas participaram de protestos ocorridos em toda a França no final de semana. As manifestações foram quase todas pacíficas, mas houve alguns conflitos com a polícia.

O sindicato Sud-PTT afirmou na segunda-feira que um de seus membros estava em coma depois de ter ficado ferido nos confrontos.

Grandes manifestações podem derrubar ou fortalecer governos na França. Em 1995, protestos minaram profundamente o primeiro-ministro conservador Alain Juppé, que perdeu as eleições realizadas dois anos depois.

As graves recorrentes e as manifestações podem também prejudicar a economia. Os distúrbios em subúrbios de cidades francesas ocorridos no ano passado

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