Sob pressão, o governo federal liberou nesta sexta-feira um crédito extraordinário R$ 673,621 milhões para os ministérios das Cidades, Integração Nacional e Transportes.Os recursos foram liberados por meio da medida provisória 266, publicada na edição desta sexta-feira no Diário Oficial da União. A decisão consta na lista de determinações da que estão no centro das discussões que azedaram o relacionamento dos ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e Dilma Roussef, da Casa Civil.
Além de correr o risco de ser obrigado a comparecer às Comissões Parlamentares de Inquérito em curso no Congresso, para esclarecer sua suposta participação no recebimento de contribuições do governo cubano para a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci foi criticado publicamente nesta semana pela colega Dilma Rousseff para que houvesse uma liberação maior para obras de infra-estrutura; além de qualificar a proposta de aumentar o esforço fiscal do governo apresentada pela equipe econômica como "rudimentar".
Do total de R$ 674 milhões liberados pela MP, R$ 199,382 milhões fazem parte do Orçamento da União. O outros R$ 474,238 milhões restante vieram do remanejamento do Projeto Piloto de Investimento (PPI). São os recursos destinados a projetos considerados essenciais na área de infra-estrutura. O governo pode gastar nesses projetos cerca de R$ 3,3 bilhões neste ano. Entre os projetos que serão beneficiados com os recursos liberados estão a construção da ferrovia Norte-Sul, com R$ 140 milhões, e a manutenção da malha ferroviária federal (R$ 110,382 milhões).
O governo anunciou também, nesta semana, mais R$ 1,213 bilhão para que os ministérios possam aplicar em seus projetos. Isso foi possível devido à revisão bimestral das contas do governo, que constataram uma maior arrecadação de impostos.