Pressionada, Ucrânia adia julgamento de ex-primeira-ministra
Por Richard Balmforth
KIEV (Reuters) - O julgamento da ex-primeira-ministra ucraniana Yulia Tymoshenko foi abruptamente suspenso por duas semanas nesta segunda-feira, depois de Estados Unidos e União Europeia manifestarem preocupação com o processo.
Tymoshenko, importante figura da oposição, é ré desde junho pela acusação de abuso de poder na assinatura de um acordo de gás com a Rússia em 2009. Ela pode ser condenada a até dez anos de prisão.
O governo do presidente Viktor Yanukovich diz que por causa desse acordo a Ucrânia está pagando um preço exorbitante pelo gás russo. Tymoshenko nega a acusação e se diz vítima de uma vingança política.
Os EUA e vários países da UE ficaram ao lado dela. Alguns governos europeus alertaram que o julgamento pode inviabilizar um acordo de aproximação política e comercial com a ex-república soviética.
Na audiência judicial de segunda-feira em Kiev, o juiz do caso anunciou uma suspensão até o dia 27 "para assegurar os direitos da defesa e fornecer um tempo adicional".
Em Bruxelas, um porta-voz da chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, afirmou que ela e a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, escreveram na sexta-feira uma carta "de natureza privada" a Yanukovich.
Um diplomata familiarizado com o texto disse, no entanto, que o texto "expressa preocupação com o estado da democracia na Ucrânia e cita especificamente a detenção de Tymoshenko, o que é perturbador".
Reuters