Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Pressão sobre prefeito de NY cresce com morte de policiais

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, enfrenta a maior crise da sua carreira política depois que um homem matou a tiros dois policiais, no fim de semana, num ataque cuja intenção era vingar a morte de negros desarmados pela polícia nos Estados Unidos.

Segunda, 22 de Dezembro de 2014 às 07:58, por: CdB
policialmorteeua.jpg
Policiais montem guarda no local em que foi montada uma vigília improvisada, onde dois policiais foram mortos a tiros, no Brooklin, em Nova York
O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, enfrenta a maior crise da sua carreira política depois que um homem matou a tiros dois policiais, no fim de semana, num ataque cuja intenção era vingar a morte de negros desarmados pela polícia nos Estados Unidos. Policiais da cidade viraram as costas para o prefeito em protesto durante uma entrevista à imprensa, e o sindicato da categoria disse que De Blasio tinha sangue nas mãos depois do ataque de sábado. Investigadores disseram que o responsável pelas mortes é um homem negro de 28 anos com uma longa ficha policial, que talvez tenha tido problemas mentais no passado, e que alertou sobre as suas intenções nas redes sociais. As suas mensagens no Instagram indicam que ele foi motivado pelas mortes do Michael Brown, de 18 anos, e Eric Garner, em ações policiais. De Blasio foi eleito no ano passado prometendo avançar com os direitos civis depois de duas décadas de policiamento duro terem ajudado Nova York a superar a reputação por crimes violentos. Ele tem mostrado apoio aos manifestantes que tomaram as ruas de Nova York depois que um juri decidiu, no início do mês, não indiciar o policial que matou Garner com uma gravata em julho, quando ele resistiu à prisão. A posição do prefeito tem levado a relações tensas com o maior sindicato policial da cidade. Críticos na polícia consideram que o prefeito não tem demonstrado apoio suficiente à corporação em tempos de revolta pública. - Prefeitos tendem a não se sair muito bem quando o departamento de polícia e os seus homens não estão contentes,  disse o estrategista político de Nova York Hank Sheinkopf, que tinha entre os seus clientes Michael Bloomberg, antecessor do atual prefeito. As mortes de Garner, em Nova York, e de Brown, em Ferguson, no Missouri, têm gerado protestos violentos no país. Outro juro decidiu também não acusar formalmente o policial envolvido na morte de Brown. Os casos provocaram um debate público sobre raça e policiamento, que tem envolvido inclusive o presidente Barack Obama e o seu secretário de Justiça, também negro, Eric Holder. Líderes de protestos recentes contra a polícia, incluindo o reverendo Al Sharpton, veterano ativista por direitos civis de Nova York, condenaram o assassinato dos policiais. Cerca de 100 manifestantes, parte de um grupo que recentemente se encontrou com o prefeito para pedir reformas na polícia, fizeram um ato no domingo à noite no Harlem. Em contraste com os tradicionais barulhentos protestos contra a polícia, eles caminharam em silêncio com velas. Uma vigília pelos policiais também ocorreu no Brooklyn, perto de onde ocorreu o ataque. Obama falou com o comissário de polícia de Nova York, William Bratton, neste domingo, para expressar condolências. O cardeal de Nova York, Timothy Dolan, alertou sobre as tensões durante uma missa no domingo, a qual estiveram presentes Bratton e o prefeito. - Nos preocupamos com uma cidade tentada pela tensão e a divisão - disse Dolan. Os planos para os funerais de Ramos e Liu, os primeiros policiais a morrerem em serviço e a tiros na cidade desde 2001, ainda não foram anunciados. As cerimônias podem chamar ainda mais a atenção para as divisões entre a polícia e o prefeito. O sindicato havia previamente feito uma campanha para que policiais pudessem pedir ao prefeito e outras autoridades para não comparecerem aos seus funerais se eles morressem em serviço. Não estava claro neste domingo quantos haviam feito a requisição.    
Tags:
Edições digital e impressa