Economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom), reunido nestas terça e quarta-feiras para definir a taxa básica de juros que remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic), tende a acrescentar mais 0,5 pontos percentuais no patamar de 11,75% praticado atualmente.
A reunião começou na tarde desta terça-feira, quando o colegiado do Banco Central ouviu exposições dos chefes de departamento da instituição sobre as perspectivas nos diferentes segmentos da economia, no Brasil e no exterior, com enfoque especial para o acompanhamento de preços e possíveis pressões inflacionárias.
Segundo o boletim Focus, do BC, baseada em estimativas de analistas, a taxa deverá chegar aos 12,25% ao ano.
Críticas antecipadas
Um dia antes de o Copom iniciar a reunião em que decidirá se eleva novamente a taxa básica de juros (Selic), o presidente em exercício, José Alencar, voltou a criticar os juros adotados no país.
- A política de juros altos para combater a inflação no Brasil é inócua. Essa inflação não é de demanda, é de custo no campo das commodities e do petróleo. Não é com taxa de juros que vamos combatê-la - disse.
Alencar destacou que a alta taxa de juros inibe o investimento.
- O regime de juros no Brasil é um regime que não ajuda, não dá condições para o investimento. A taxa de juros alta é usada como instrumento de combate à inflação porque ela inibe o consumo e os investimentos. Precisamos estimular o investimento e o consumo porque o Brasil ainda é um país de subconsumo - completou.
A expectativa é que a Selic chegue a 13,75% até o final do ano, com redução em 2009 até fechar o período em 12,50%. Na semana anterior, a projeção dos analistas era que a Selic chegasse ao final deste ano em 13,50% e ficasse em 12,25% em 2009.