Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Presos de Minas Gerais fazem greve contra a superlotação

Terça, 06 de Janeiro de 2004 às 23:24, por: CdB

A reação mais recente à superlotação das cadeias públicas mineiras está sendo registrada na Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DERFV), na Região Centro- Sul de Belo Horizonte, onde os 140 presos confinados em celas abarrotadas fazem greve de fome há três dias.

A greve foi deflagrada para agilizar a transferência dos que já foram condenados pela Justiça. Mas, o drama de uns garante a alegria de outros. As refeições dispensadas estão alimentando pessoas carentes.

Pelo menos 5,4 mil presos condenados em todo o Estado se encontram amontoados em distritos policiais e delegacias especializadas, vivendo em condições subumanas. O déficit do sistema prisional, no entanto, está longe de ser solucionado. Pelos cálculos do subsecretário de Estado da Defesa Social, Luiz Flávio Sapori, a situação deverá se normalizar até o fim do atual governo.
Na DERFV, as cinco celas disponíveis têm capacidade para abrigar, no máximo, 20 presos. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, mais de 60% dos 140 lá enclausurados já foram julgados, condenados e estão aguardando transferência para algum presídio.

Quem está lucrando com a greve de fome dos presos são mendigos e favelados da cidade, que deverão receber as refeições recusadas até a próxima sexta-feira, prazo definido por Sapori para dar início às transferências solicitadas.

Até a última segunda-feira, foram distribuídos 560 marmitex, 280 pães e 40 litros de café com leite, referentes a refeições dispensadas pelos detentos da DERFV. O delegado titular daquela unidade, Cláudio Utsch, garantiu que não houve qualquer incidente ou necessidade de atendimento médico.

- O movimento é pacífico. Os presos pedem apenas o básico - disse.

Sapori informou que ainda neste semestre serão disponibilizadas mais 200 vagas na Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem, e 300 na Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, ambas na RMBH. Disse ainda que será concluído nos próximos três meses as obras das penitenciárias de Francisco Sá, Norte de Minas, e de Juiz de Fora, Zona da Mata.

As duas unidades deverão gerar mais 600 vagas. Além disso, o Governo anuncia a inauguração, até dezembro, de penitenciárias em Uberaba, Formiga, Três Corações e Patrocínio. A meta é criar, ao todo, mais quatro mil vagas no sistema em todo o Estado.

Sapori lembrou ainda que as divisões de Tóxicos e Entorpecentes e de Crimes contra o Patrimônio (DCcP) terminam o ano sem nenhum preso condenado em suas dependências.
 
- O processo de esvaziamento das celas de todas as cadeias do Estado foi interrompido pela rebelião do Ceresp de Betim, em novembro - disse, lembrando o motim que deixou saldo de dezenas de celas destruídas.

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