Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Presos acusados dos atentados a edifícios na Rússia

Segunda, 12 de Janeiro de 2004 às 09:20, por: CdB

O Tribunal Municipal de Moscou condenou nesta segunda-feira, à cadeia perpétua, dois dos acusados dos misteriosos atentados a edifícios em Volgodonsk e na capital russa que em 1999 causaram mais de 240 mortes e desencadearam a atual guerra na Chechênia.

Adam Dekkushev e Yusuf Krimshamkhalov, detidos no ano passado na Geórgia e extraditados para a Rússia, foram declarados culpados de terrorismo, assassinato, pertencer a um grupo armada, posse e transporte de explosivos e cruzamento ilegal de fronteiras.

O promotor Serguei Verbin disse que a culpa dos acusados ficara provada e ambos mereciam a pena capital, mas pediu a cadeia perpétua tendo em conta que na Rússia vigora uma moratória sobre a pena de morte a pedido do Conselho da Europa.

O processo transcorreu a portas fechadas, apesar dos pedidos de transparência em um caso no qual se chegou a especular-se que a mão dos serviços secretos russos estaria por trás dos atentados.

Esta ações terroristas serviram de pretexto para deflagrar a segunda guerra chechena, que acabou ajudando a catapultar para o poder o presidente russo, Vladimir Putin.

Durante o julgamento, os acusados reconheceram parte das acusações afirmando que foram manipulados pelos organizadores dos atentados e que nunca souberam que as vítimas seriam civis.

"Estamos em total desacordo com o veredicto, muitas afirmações se baseiam em mentiras", disse Krimshamkhalov hoje à imprensa, que foi admitido na corte apenas na sessão final, para escutar o veredicto.

Sobre os dois acusados, oriundos da república caucasiana russa de Karachaevo-Cherkesia, ficou provado que foram treinados em acampamentos de extremistas islâmicos na rebelde Chechênia, mas disseram acreditar que os atentados seriam contra instalações militares e não civis.

Mais de 240 pessoas morreram nos atentados cometidos contra edifícios residenciais em Moscou, na rua Gurianov e na avenida de Kashira, nos dia 9 e 13 de setembro de 1999, e em Volgodonsk, no baixo Volga, dia 16 de setembro.

Segundo a Justiça russa, os "cérebros" daqueles atentados foram os comandantes árabes da guerrilha chechena Khatab e Abu Umar, mortos durante a guerra, da mesma forma que outros quatro extremistas, cidadãos russos oriundos do Cáucaso.

O último acusado, que por enquanto escapou da Justiça, é Achimez Gochiayev, que alugou os porões dos edifícios destruídos e de outros imóveis em Moscou para armazenar sacas de açúcar que na verdade continham explosivos.

Mas o Tribunal não investigou as denúncias de Gochiayev, feitas à imprensa, de que a ordem de alugar os porões foram recebidas de um "sócio" que depois revelou-se um oficial do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB) encarregado de infiltrar agentes na guerrilha chechena.

Outra dúvida que ficou sem resposta é por que a notícia do atentado de Volgodonsk foi divulgada na Duma (Câmara de Deputados) três dias antes de ocorrer, no que se suspeita ter sido uma falta de coordenação dentro do FSB.

Também não foi investigado um estranho incidente ocorrido dias depois do atentado em Volgodonsk na cidade de Riazan, onde a polícia, avisada pelos moradores de uma casa, deteve agentes do FSB no momento em que colocavam sacos com explosivos no porão do edifício.

O diretor do FSB, Nikolai Pátrushev, afirmou então que se tratava de um "exercício" para testar a eficácia dos órgãos da ordem pública, mas nunca explicou por que, como denunciou a polícia de Riazan, as sacas com açúcar continham de fato explosivos e detonadores autênticos em vez de simuladores.

Uma investigação independente daqueles enigmáticos fatos, aberta por deputados liberais e grupos humanitários, terminou sem êxito e com acusações ao FSB de colocar empecilhos a seu trabalho.

Cinco pessoas que perderam parenbtes nos atentados de 1999 e na tomada do teatro Dubrovka de Moscou por um comando checheno em outubro de 2002 exigiram hoje de Putin e dos demais

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