A Polícia Federal prendeu na noite desta segunda-feira mais um suspeito de participar do assassinato da freira americana Dorothy Stang. Uilquelano Pinto, o Eduardo, que também teria disparado contra a ativista, junto com Rayfran das Neves, foi capturado no município de Belo Monte, próximo à balsa que atravessa o rio Xingu.
Uilquelano é o terceiro preso pelo crime. Já estão em poder da polícia Amair Feijoli da Cunha, o Tato, suposto mandante do crime, e Rayfran. Nesta terça-feira a Polícia Civil vai fazer uma acareação entre os três.
No fim da tarde de segunda-feira, o pistoleiro Rayfran, em depoimento à Polícia Federal, confirmou ter matado a missionária Dorothy Stang, no Pará. Ele apontou outra pessoa como mandante: Amair Feijoli da Cunha, o Tato, já preso e acusado de ter sido o intermediário do crime. Antes, em depoimento informal à Polícia Civil do Pará, Rayfran contara que o mandante do crime tinha sido o presidente do Sindicato Rural de Anapu, Francisco de Assis de Souza, o Chiquinho, ex-vice prefeito da cidade, filiado ao PT e considerado um dos principais aliados de Dorothy. O pistoleiro será indiciado por homicídio qualificado.
A polícia informou que vai continuar tentando localizar o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, um dos principais suspeitos de ser o mandante do assassinato.
Rayfran foi conduzido nesta segunda de Anapu para Altamira de helicóptero, sob um forte aparato de segurança que envolveu soldados do Exército, policiais federais e policiais civis. Ele foi preso no domingo à noite a 35 quilômetros da sede do município de Anapu, no Pará. A prisão foi feita pela Polícia Civil do Pará, em conjunto com uma patrulha do Exército. Rayfran estava desarmado, numa barraca de náilon montada à beira da rodovia Transamazônica. Segundo a polícia, ele não resistiu à prisão.
Tato já tinha se entregado à polícia no sábado. Para o delegado, ele mentiu e caiu em contradição:
- Ele disse que não conversou com a irmã Dorothy, mas nós temos depoimentos de várias testemunhas que dizem ter visto ele discutir e até dizer várias palavras de baixo calão contra ela no dia do crime. Se ele está mentindo nesses detalhes pequenos, ele está mentindo o tempo todo.
O juiz titular da Vara de Pacajá (PA), Lucas do Carmo de Jesus, revogou a determinação de sigilo de Justiça sobre a investigação no Pará, que ele mesmo havia proferido à tarde. O juiz informou que, reavaliando o caso, considerou que era melhor deixar a Polícia Civil decidir o que deve ou não ser divulgado sobre as investigações.
O magistrado sustentou que, de ofício, tomou a decisão de revogar o sigilo das investigações sobre a morte da missionária Dorothy Stang, ou seja, sem que o Ministério Público, autor do pedido de sigilo, houvesse pedido a revisão da decisão.
- Agora fica a cargo da autoridade policial o critério de decidir o que deve ser preservado e o que pode ser informado - disse o juiz, que assumiu a Vara na última terça-feira.