O governo do Estado em parceria com as ONGs Nós no Morro, Central Única de Favelas (Cufa) e Observatório das Favelas pretende inovar o sistema prisional do Rio de Janeiro. Através de arte, leitura, e incentivos a cursos de capacitação profissional, a ação pretende dar oportunidades e mostrar outros caminhos aos detentos do Estado. Outra novidade no setor é a implantação de mais uma casa de custódia na capital, anunciada esta semana pelo Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania.
– Essa e outras parcerias serão feitas para incentivar a educação e até promover ensino a distância nos presídios, que será inovador e sem gastos com professores. Vamos otimizar espaços, oferecer projetos sociais, oficinas e cursos técnicos – garantiu o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão.
Teatro, leitura, cinema, informática, capoeira, dança, basquete e graffiti são exemplos de atividades oferecidas pelas ONGs, que poderão fazer parte do cotidiano de quem cumpre pena no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. O diretor do grupo Nós no Morro, Guti Fraga, disse que o critério básico para se inscrever numa oficina cultural é desejar fazê-la.
– Os presos vão escolher o que quiserem aprender. Será um sonho. A arte poderá mudar a alma dessas pessoas, despertar talentos, dar metas e melhorar o futuro dessa gente. A oportunidade de sonhar mostra que a vida tem outros caminhos, sem ser o do crime – explicou Fraga.
Segundo o diretor da Cufa, Celso Athayde, esse trabalho já é desenvolvido em comunidades carentes do estado. Ele ainda disse que pretende, junto ao governo, criar uma política pública do projeto cultural, depois do programa ser organizado e implantado no sistema prisional.
O vice-governador acompanhado do secretário de Administração Penitenciária, Cesar Rubens Monteiro; do presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Ícaro Moreno, e dos representantes das ONGs visitou esta semana o Complexo Penitenciário de Gericinó.
Juntos, conheceram as instalações dos presídios Alexandre Sarmento, Jonas Lopes de Carvalho e Alfredo Trajan, mais conhecidos como Bangu III, IV e II, respectivamente. Em seguida, eles também foram ao Talavera Bruce, que abriga apenas mulheres. Na ocasião, Pezão disse que vai recuperar a infra-estrutura das unidades e novas ações pretendem ressocializar detentos.
– Quem estuda dificilmente entra na estatística de reingresso nas cadeias. Estamos analisando a implantação do Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho, nos presídios do Rio. Vamos unir forças, além de reaproveitar os presos como operários em nossas obras no estado – afirmou Pezão.
O Departamento Nacional do Sistema Penitenciário informou que o sistema do Rio – com 23 unidades – tem a melhor estrutura de apoio médico do Brasil, e conta com sete hospitais para assistir as casas de custódia.
– Temos também 33 equipes do SUS (Sistema Único de Saúde) para atender os presos e, em parceria com governo federal, vamos aumentar o quadro de psicólogos, agentes carcerários e assistentes sociais – disse o secretário de Administração Penitenciária.