Rio de Janeiro, 01 de Janeiro de 2026

Presidentes não estipulam prazo para concluir negociação sobre livre-comércio

Sexta, 09 de Março de 2007 às 17:10, por: CdB

Pelo que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush disseram nesta sexta-feira em São Paulo, as negociações da Rodada Doha para liberalizar o comércio mundial - em que os países em desenvolvimento buscam reduzir subsídios de europeus e norte-americanos a produtos agrícolas - ainda devem durar um bom tempo.

Na declaração conjunta e na entrevista coletiva que concederam, os dois evitaram falar em prazos e previram uma longa e cautelosa negociação.

O primeiro a mencionar o assunto foi Bush, que disse não gostar de prazos.

- Há pontos em que concordamos, outros não. Temos que ser cuidadosos para depois não dizerem 'ah, eles falharam' -, disse o americano.

Em seguida, Lula afirmou ser necessário encontrar o "ponto G" para o acordo e comparou a negociação a um jogo de baralho, em que cada jogador tem uma carta guardada, mas nenhum quer dar a primeira cartada para não se expor.

- Alguns podem até não ter carta porque não querem jogar, mas eu e ele temos, e vamos fazer um acordo -, afirmou, apontando para Bush.

O presidente brasileiro comparou a situação dos dois países frente à negociação.

- "Os Estados Unidos levam vantagem, porque negociam em nome deles mesmos. Nós, não -, explicou.

Lembrou que o Brasil negocia em bloco, no âmbito do G 20, e precisa lidar com a União Européia, que também é um grupo de nações. "Temos que conversar com os mais pobres e com os mais ricos também".

Lula disse ainda que as negociações de Doha não se comparam às da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), projeto defendido pelos Estados Unidos que o Brasil não encampou e não se concretizou. Ele confirmou que era mesmo contra a idéia e justificou dizendo que privilegia a integração sul-americana. Antes, já havia enfatizado que a integração regional é uma prioridade e o melhor caminho para reforçar a democracia.

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