Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez e da Argentina, Nestor Kircnher reuniram-se, na Granja do Torto, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema principal do encontro foi a construção de um gasoduto com cerca de 10 mil quilômetros ligando os três países. Os primeiros estudos mostram que a iniciativa pode custar de US$ 17 milhões a US$ 25 milhões e a obra deve levar seis anos para ficar pronta.
Os últimos lances da disputa entre a Venezuela e os EUA no campo militar, com o veto norte-americano à venda de aviões brasileiros e espanhóis ao governo de Hugo Chávez também fizeram parte da conversa entre os três presidentes, segundo fonte governamental da Argentina, que participou do almoço entre os presidentes sul-americanos. O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, confirmou no início da semana que há intenção de os EUA vetarem qualquer tentativa de se vender equipamentos militares que contenham tecnologia norte-americana à Venezuela. Ele também descartou a presença do presidente Lula como mediador nas relações dos Estados Unidos com outros países da região.
- Não. Trabalhamos muito bem com cada um desses governos individualmente - disse McCormack, ao ser questionado se o Brasil poderia ser visto como um mediador dos interesses americanos na região.
McCormack, ao mesmo tempo, elogiou o presidente brasileiro.
- O presidente Bush tem uma grande relação com o presidente Lula. Ele tem um grande respeito pelo presidente Lula. E a secretária (de Estado, Condoleezza) Rice tem uma ótima relação de trabalho com o ministro Amorim - disse o porta-voz.
McCormack disse que o governo norte-americano não se importa com o espectro político dos governos da região, desde que eles respeitem o que os norte-americanos consideram as fundações de um governo democrático.
- Essa idéia de que o mundo é dividido entre direita e esquerda não é como vemos. Nós olhamos se eles governam de maneira democrática, se seguem os princípios da democracia, se governam de acordo com a constituição, se promovem a expansão do comércio, se promovem a prosperidade para os cidadãos do país. Estamos prontos a trabalhar com todos os governos do hemisfério, baseados numa agenda positiva - afirmou.