Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Presidente português dissolve Parlamento e marca eleições

O presidente português, Jorge Sampaio, dissolveu o Parlamento na sexta-feira e convocou eleições para 20 de fevereiro, o que pode tirar o Partido Social Democrata, de centro-direita, do poder. Menos de cinco meses depois da posse de Pedro Santana Lopes como primeiro-ministro, seu partido aparece bem atrás dos socialistas nas pesquisas. (Leia Mais)

Sábado, 11 de Dezembro de 2004 às 08:04, por: CdB

O presidente português, Jorge Sampaio, dissolveu o Parlamento na sexta-feira e convocou eleições para 20 de fevereiro, o que pode tirar o Partido Social Democrata, de centro-direita, do poder. Menos de cinco meses depois da posse de Pedro Santana Lopes como primeiro-ministro, seu partido aparece bem atrás dos socialistas nas pesquisas.

- Diante da diversidade de propostas que me foram apresentadas, vou marcar as eleições para o próximo 20 de fevereiro - disse Sampaio em cadeia de rádio e TV.

Ele acrescentou que a instabilidade política na coalizão de Santana Lopes "ameaça continuar, com sérios prejuízos às instituições e ao país, que não pode perder mais tempo e adiar as reformas".

O breve mandato de Santana Lopes foi marcado pela tumultuada renúncia de um ministro, por desempenho negativo nas pesquisas, por rebaixamento na nota de crédito da agência Standard & Poor's ao país e por acusações de interferência governamental sobre a mídia. Do segundo para o terceiro trimestre, a economia encolheu 1,2%.

O analista político António José Teixeira disse que Sampaio lançou uma "bomba atômica" ao dissolver o Parlamento e convocar eleições para destituir Santana Lopes. O atual primeiro-ministro era prefeito de Lisboa e vice-líder social democrata até julho, quando seu antecessor, José Manuel Durão Barroso, deixou o governo para assumir o cargo de presidente da Comissão Européia.

Sampaio aceitou que Santana Lopes se tornasse primeiro-ministro, desde que ele mantivesse a estabilidade e as políticas de Barroso. Isso não aconteceu. Santana Lopes afrouxou o programa de austeridade do governo, criado para reduzir um déficit público que, em 2001, ultrapassou os limites tolerados para os países que adotam o euro como moeda.

Os socialistas, liderados por José Sócrates, têm boas chances de chegarem ao poder nas eleições de fevereiro, quando o país terá o seu quarto governo desde o final de 2001. Os socialistas foram contra o apoio de Barroso à guerra no Iraque, e Sócrates se manifestou contra a privatização da estatal de abastecimento de água.

A oposição também critica o programa de austeridade, mas um de seus principais líderes, António Vitorino, prometeu que um eventual governo socialista não será esbanjador. Ainda não se sabe se Santana Lopes, que nunca perdeu uma eleição, fará campanha junto com seus atuais aliados direitistas do Partido Popular. Originalmente, a eleição estava prevista para ocorrer em 2006.

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