O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse nesta terça-feira que formará uma equipe "técnica e econômica" para estudar a origem e a legalidade da dívida internacional, seguindo o exemplo de outros países da região que anunciaram medidas semelhantes.
Em uma entrevista coletiva, o presidente afirmou que "a questão da dívida dos países está se instalando na agenda internacional" e que, ainda que a dívida paraguaia não seja alta, é preciso analisar se ela "já foi paga" e se os recursos chegaram a "seus genuínos destinatários."
Lugo, ex-bispo católico que lidera uma coalizão de centro-esquerda, assumiu em 15 de agosto o governo de uma das menores economias da região. A dívida externa do país é de pouco mais de 2 bilhões de dólares, contraída principalmente com organismos multilaterais de crédito.
- Queremos formar uma equipe técnico-econômica com alta capacidade moral para estudar com seriedade toda nossa dívida (...) Nós queremos estudá-la exaustivamente, e acredito que os organismos internacionais estão conscientes disso - declarou.
- Esse governo tem o desejo sincero de estudar detalhadamente a origem e a legalidade da dívida do nosso país - acrescentou.
O presidente respondeu dessa maneira após ser perguntado se iria a instâncias internacionais para pedir a revisão da dívida contraída para a construção da hidroelétrica de Itaipu, confrontando-se com o Brasil e seguindo os passos do Equador.
O governo equatoriano confirmou há alguns dias que levará a tribunais internacionais pelo menos dois casos de dívidas classificadas como ilegais. Após o anúncio de Quito, outros países como Venezuela e Bolívia decidiram auditar seus passivos.
Meses atrás, Paraguai e Brasil iniciaram um complexo processo de negociação sobre a usina que os dois países dividem no rio Paraná - responsável pela geração de cerca de 90 milhões de megawatts por ano.
Entre as exigências paraguaias está a revisão da dívida acumulada pela usina com a estatal brasileira Eletrobrás, que chega a quase 19 bilhões de dólares e expira em 2023. O país também quer um receber um preço maior pela energia vendida a seu sócio, que consome cerca de 90 por cento da eletricidade produzida pela usina.
- O Paraguai não vai mudar sua postura de pedir reivindicações justas que lhe disserem respeito (...) valorizamos a predisposição do presidente do Brasil nas conversas que tivemos, apesar de não termos percebido ainda avanços significativos - disse Lugo sobre as negociações, que continuarão na semana que vem.
Além disso, o Paraguai analisa a possibilidade de apelar à Corte Internacional de Haia contra a decisão de um tribunal suíço, que em 2005 condenou o país a pagar cerca de 85 milhões de dólares a um grupo de bancos europeus por uma dívida contraída de maneira ilegal por um ex-cônsul honorário do governo do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989).