Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Presidente paraguaio diz que oposição quer desestabilizar eleições

Presidente do Paraguai diz que agitadores estrangeiros estariam chegando ao país.

Quarta, 16 de Abril de 2008 às 05:49, por: CdB

A cinco dias das eleições presidenciais deste domingo, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, disse na noite desta terça-feira que o candidato de oposição Fernando Lugo e grupos que o apóiam estariam à frente de "um plano desestabilizador" para o dia do pleito.

Segundo o presidente paraguaio, estariam chegando ao país "agitadores sociais da Venezuela, do Equador e da Bolívia", que apoiariam Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol).

Em entrevistas a emissoras de rádio e televisão e também durante discurso no departamento (Estado) de Caaguazú, a cerca de 200 quilômetros da capital, Assunção, Duarte Frutos disse que a oposição reagiria de forma violenta caso não seja eleita.

- Estão tentando, desesperadamente, instalar a idéia de que ocorrerão fraudes. Assim, quando sair o resultado da vitória do Partido Colorado, esses grupos que estão atuando em vários lugares, principalmente em São Pedro, vão começar a gerar distúrbios e violência no país -afirmou o presidente, que apóia a candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar.

São Pedro é o reduto político de Lugo, onde foi bispo da Igreja Católica.

- Estão ocultando elementos explosivos, e a Justiça deve intervir, fazer batidas, porque eu responsabilizo a Fernando Lugo e Federico Franco (candidato a vice de Lugo) - afirmou.

- Mandaremos estas pessoas de volta a seus países se não respeitarem a festa democrática e de esperança do nosso país - disse o presidente, que concorre a uma vaga no Senado pelo Partido Colorado, legenda que está há 60 anos no poder.

Resposta

Em resposta às declarações do presidente, o candidato a vice de Lugo disse que a única bomba que vai explodir domingo sairá das urnas. O povo está cansado de 60 anos de Partido Colorado no poder.

Lugo lidera as pesquisas de opinião, apesar de ter reduzido a vantagem sobre os demais candidatos nos últimos dias.

Até a noite desta terça-feira, Lugo não havia respondido às acusações do presidente.

Dois de seus assessores de campanha, Raul Mesa e Ausberto Rodríguez, afirmaram que o candidato presidencial não costuma responder a "ataques políticos". O ex-sacerdote costuma limitar-se a responder que confia no processo eleitoral e que é alvo de guerra suja.

Representantes dos movimentos sociais que apóiam a candidatura do ex-bispo, como Belarmino Balbuena, líder do Movimento Campesino Paraguaio e candidato ao Senado, afirmaram à imprensa local que o presidente quer gerar "medo" na população e "desestabilizar" o clima eleitoral.

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