No primeiro discurso após a oficialização de sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou comentar temas políticos. A uma platéia de empresários do setor automotivo afirmou na noite desta segunda-feira que, apesar das queixas quanto ao real valorizado, o governo não vai interferir no câmbio "por decreto".
- Não há espaço para chorar. Tem hora que a gente chora que falta uma coisa ou outra. O dado concreto é que, com todas as reclamações, a indústria automobilística brasileira é uma indústria vitoriosa porque produz 2,6 milhões de veículos por ano - disse Lula.
Ele participou da comemoração dos 50 anos da Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos instaladas no país, evento que reuniu 700 pessoas em um clube de São Paulo. Como argumento para a não intervenção no câmbio, o presidente previu que o setor possa atingir a produção de 3 milhões de veículos com consequente aumento das exportações. Hoje, segundo dados da indústria, as exportações de veículos representam 33 por cento do volume produzido.
- Há uma torcida cambial inimaginável aqui. Todos vocês sabem que, ao mesmo tempo que todos querem uma melhora no câmbio, ela não pode ser feita por decreto nem por medida provisória. Ela tem que ser regulado exatamente pelo mercado e nós vamos tratar de trabalhar para que isso aconteça. Aí estaremos atingindo um momento extraordinário - relatou no discurso de apenas 12 minutos em que lembrou sua ligação com as montadoras quando foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP).
Lula elogiou a Petrobras pelos avanços no desenvolvimento de combustíveis alternativos ao petróleo. Citou o etanol, o biodiesel e o recente HBio e disse que tem conversado com dirigentes vários países sobre essas alternativas.
- Eu tenho feito questão de ligar para nossos parceiros no mundo inteiro. Nesses últimos 30 dias eu falei com Angela Merkel, da Alemanha, com Tony Blair (Inglaterra), (Jaques) Chirac (França) e na segunda-feira com (George W.) Bush e para todos eu falo cinco minutos dos problemas que nós temos aqui e meia hora do biodiesel, do HBio, do etanol - disse.
Para o presidente, nenhum país tem condições de competir com o Brasil na tecnologia dos combustíveis renováveis, mas previu um futuro difícil para o setor automotivo, com aumento da competição por parte de países como a China.
- Todos sabem o que representa a entrada dos chineses no mercado automobilístico. Se quisermos ganhar a parada vamos ter que investir muito, muito, muito sobretudo na engenharia automotiva.