O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad defendeu, nesta quarta-feira, "a cultura do martírio" como forma de resolver os problemas econômicos e mundiais, em um encontro com famílias de mártires da guerra entre seu país e o Iraque nos anos 80, informa a agência iraniana de notícias Mehr.
- Se queremos construir nosso país, preservar nossa grandeza e resolver os problemas econômicos, temos necessidade da cultura do martírio - afirmou o chefe de Estado iraniano.
- Hoje em dia, os povos livres do mundo escolheram a via de nossos mártires, que é a da grandeza e do orgulho. O martírio é um atalho para o topo da felicidade - resumiu.
Segundo Ahmadinejad, "a contagem regressiva da destruição das grandes potências já começou".
O ultraconservador é alvo de críticas tanto de setores reformistas como de conservadores moderados por suas declarações intempestivas e por sua política econômica com altos índices de inflação (18,5% segundo fontes oficiais, mas superior a 25% de acordo com estimativas de analistas).
As autoridades iranianas estimulam o culto do martírio dos falecidos na Revolução Islâmica de 1979 e na guerra contra o Iraque (1980-88).
Acordo
Nesta quarta-feira, o Irã acordou com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que a partir de maio dará explicações sobre estudos relativos a projetos que, segundo os serviços de Inteligência ocidentais, estariam vinculados ao desenvolvimento de armas nucleares.
A informação foi divulgada hoje pela AIEA em um comunicado emitido em Viena.
- Chegamos a um acordo durante os encontros em Teerã sobre um processo para esclarecer os denominados possíveis estudos durante o mês de maio - diz o comunicado.
Atentados
No início desta semana, o governo iraniano voltou a chmar de "duvidosos" os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, após os quais Washington intensificou a luta contra o terrorismo.
- Do nosso ponto de vista, é um acontecimento duvidoso, e continuará sendo assim enquanto todas suas dimensões sigam não esclarecidas -disse o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Mohamad Ali Hosseini, segundo a agência Irna.
- Muitos especialistas e analistas também opinam que, enquanto continuar a ambigüidade sobre as dimensões deste acontecimento, não é possível opinar sobre o mesmo de forma decisiva - disse.
O próprio presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tinha feito declarações no mesmo sentido. O Irã não tem relações diplomáticas com os EUA há 27 anos, e é acusado por Washington de apoiar o terrorismo internacional.