O presidente interino da Bolívia, Eduardo Rodríguez, rebateu indignado, nesta quinta-feira, uma declaração do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que denunciou um suposto plano dos Estados Unidos para derrubar o futuro governo do líder cocaleiro Evo Morales.
- Não precisamos de ninguém para nos dizer como devemos agir - disse Rodríguez a repórteres, referindo-se às palavras de Chávez. O dirigente venezuelano afirmou que os militares da Bolívia precisam dar apoio a Morales e que a Venezuela estava pronta para defender o novo governo contra os norte-americanos.
Chávez, cujo apoio declarado a Morales provocou polêmica durante a campanha eleitoral, apareceu de novo no centro da política boliviana com sua denúncia de uma suposta conspiração contra o futuro presidente, o primeiro de origem indígena do país andino e que toma posse em 22 de janeiro. A dura resposta de Rodríguez contrasta com a cautela adotada pelo vice-presidente eleito e estreito colaborador de Morales, Álvaro Garcia, que disse não ter informações suficientes para fazer comentários sobre as palavras do líder venezuelano.
Chávez disse na terça-feira que "se alguém se atrever" a fazer algo contra seu "amigo" Morales, a Venezuela "se levantará para dar apoio ao governo da Bolívia". Segundo o venezuelano, o governo dos EUA já "deve ter dado início a sua conspiração".
Respondendo aos repórteres, Rodríguez afirmou não haver risco nenhum de golpe de Estado no país.
- A Bolívia é uma nação independente, soberana, que deixou de lado a sua antiga metrópole. Não somos parte de nenhum protetorado. Nós, os bolivianos, podemos nos defender sozinhos e temos boas relações com todos os países. Não precisamos que ninguém defina como devemos nos comportar - assegurou.
García, por outro lado, disse que o futuro governo da Bolívia buscará manter "relações cordiais" com os EUA, "mas sempre respeitando o princípio da soberania e da dignidade do país". O vice-presidente eleito deu essa declaração depois de um alto funcionário norte-americano ter afirmado que o país buscaria dialogar com Morales.
Thomas Shannon, subsecretário de Estado dos EUA para a América Latina, afirmou na terça-feira, no Brasil, que esperava conversar com Morales, um político tido, da mesma forma que Chávez, como "antiimperialista" e crítico das políticas comerciais e antidrogas dos EUA. Morales estará no Brasil na sexta-feira e no dia 17 de janeiro se encontrará com o presidente argentino, Néstor Kirchner, em Buenos Aires.