As taxas de juros vão baixar para não comprometer a "empregabilidade". Esta foi a afirmação o presidente Luis Inácio Lula da Silva, em reunião com representantes de quinze entidades do movimento popular, incluindo sindicalistas, na manhã desta quinta-feira, na capital do Piauí. Ele destacou, ainda, que não há prazo definido para o início da redução na taxa Selic.
De acordo com os participantes da reunião, Lula disse também que "o PT vai sangrar", devido à atual crise política, reafirmando que os culpados terão que pagar pelo seus atos. Na véspera, em Garanhuns, no sertão de Pernambuco, Lula entrou no tema reeleição, dizendo que ninguém pode impedi-lo de concorrer novamente. E provocou seus adversários:
- Eu não devo a minha eleição a favor de ninguém. Devo minha eleição ao povo deste país que acreditou e que votou. Na Constituinte, votei para não ter reeleição. Agora, dizer "eu não posso concorrer" com base em que? Com medo de que eu possa provar que em quatro anos eu consegui fazer o que eles fizeram em oito anos? E eu vou dizer para vocês. Se eu for, com ódio ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez porque o povo brasileiro vai querer.
A declaração de Lula pode ser vista como de caráter político-eleitoral, pelo fato de o governo estar acuado devido à crise política. Mas o fato é que grande parte do mercado prevê uma redução da Selic em setembro. Há, no entanto, quem acredite que um agravamento da crise política possa provocar um comportamento mais conservador do BC, mantendo por mais tempo a elevada taxa básica no nível atual (19,75% ao ano).
Emoção
No final da tarde, o presidente Lula visitou a unidade de produção comunitária de mamona Santa Clara, no município de Canto do Buriti, no Piauí, e disse que volta para Brasília "mais convicto de que o Brasil tem jeito". Ele disse que os problemas do país são "grandes", que "levará tempo para consertá-los" e que "é preciso fazer a coisa certa, na hora certa".
No terceiro discurso do dia, Lula pediu esperança ao povo brasileiro e chegou a chorar emocionou ao lembrar de sua mãe.
- Ela nunca perdia a esperança. Não tinha jeito de ver a minha mãe sentar a uma mesa, mesmo quando não tinha o que comer, e perder a esperança - lembrou.
O presidente voltou a defender a importância da mamona para desenvolver a região Nordeste e consolidar uma matriz energética renovável no país. "Isso para o Brasil é extraordinário, porque significa que nenhum país do mundo tem condições de competir com o Brasil. Deus passou aqui e falou: 'este povo é muito bom, vou dar muita terra e não vou dar nada que prejudique o trabalho deles'. Lamentalvemente, não tem um governo bom durante muito tempo para ajudar o problema desse povo", acrescentou.
Lula garantiu que o governo federal, por meio de resolução do Conselho Nacional de Política Energética, vai assegurar a compra do biodiesel produzido por agricultores familiares.