Embora o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, tenha feito suspense até o último minuto, assessores próximos disseram-lhe que sua presença no debate promovido pela TV Globo, na noite desta quinta-feira, reta final da campanha, seria positiva para a sua imagem junto ao eleitorado. Para os opositores seria melhor que o petista evitasse o confronto com adversários. Para o sociólogo e estrategista político Antônio Lavareda, a serviço do PFL e do PSDB pela campanha de Geraldo Alckmin, o presidente perderia de 3 a 4 pontos percentuais se faltasse ao último enfrentamento público antes de 1º de outubro. O raciocínio é que seria mais fácil criar a imagem de um candidato "covarde" do que lidar com um bom desempenho do presidente, hipótese considerada possível.
Para a oposição, o eleitor brasileiro gosta de heróis. Estes avaliam, mas não tremem diante de uma batalha.
- Indo, ele pode se dar mal e pode se dar bem. O risco está na possibilidade de ele justamente se dar bem - resumiu um estrategista da campanha de Alckmin a jornalistas.
Para os coordenadores da campanha adversária, Lula está em desvantagem de qualquer forma, "pois ficará em posição defensiva, sob ataque cerrado de seus oponentes", disse um político tucano.
- Ele (Lula) está entre a cruz e a espada. Se for, vai ter que explicar o escândalo do dossiê. Se não for, vai passar a imagem de fujão - afirmou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), um dos coordenadores da campanha de Alckmin.
Fator HH
A posição da candidata Heloísa Helena (PSOL), expulsa do PT há três anos, é outro fator de risco para Lula. Embora ela seja de esquerda, poderá servir de trunfo estratégico para Alckmin. Ela faria o "serviço sujo" de agredir o presidente, enquanto o tucano passaria a imagem de propositivo e equilibrado. O perigo dessa tática é o tamanho da mágoa da candidata, que prometeu ser "um poço de ternura", pondera um interlocutor de Alckmin.
- Se ela exagerar nos ataques, transforma Lula em vítima - disse.
Teorias não faltam para calcular os riscos de um debate, que pode ser decidido por uma gafe ou um deslize. É um campo minado aos favoritos. Qualquer passo em falso e a eleição pode sofrer uma reviravolta. No caso de Lula, o revés seria um segundo turno. Alckmin faz o dever de casa contando com a presença de seu maior rival. Sabatinas, esforço de desestabilização do adversário e muitos conselhos de como se portar diante das câmeras já foram dados à exaustão. O certo é que não sairá do seu estilo sereno e comportado. Está pronto para fazer marcação sobre o petista, mas sem insultos.
Esquema
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou um clima de suspense em torno de sua participação no debate. Pela manhã, antes de ir ao Palácio do Planalto, Lula disse a um dirigente petista que estava disposto a enfrentar o debate, mas preferia submeter o assunto a uma última avaliação com os ministros da coordenação de governo e coordenadores de campanha. A reunião começou às 9h, mas foi interrompida para que Lula recebesse, em audiência, o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Ele retomou a avaliação pouco depois. Às 10h30, os assessores que acompanham Lula em suas viagens receberam a orientação de estar na base aérea de Brasília às 16h30, embora não tenham sido informados sobre o destino.
Três equipes do chamado "escalão avançado" da campanha foram deslocadas na noite de quarta-feira para destinos diferentes. A equipe principal está no Rio de Janeiro, onde se realiza o debate. A segunda equipe está em São Bernardo do Campo, onde a programação de Lula previa a realização de um comício de encerramento da campanha às 19h. A equipe de São Bernardo do Campo recebeu instruções para instalar um telão para exibir uma mensagem do presidente candidato, caso não compareça ao comício.
Uma terceira equipe foi deslocada para São Paulo com instruções para preparar uma carreata