Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Presidente eleito do Peru enfrenta primeira crise ética

Sexta, 08 de Julho de 2011 às 09:15, por: CdB

Presidente eleito do Peru enfrenta primeira crise ética

LIMA (Reuters) - O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, enfrenta a sua primeira crise ética após a vitória, depois que um irmão dele, que é diretor do partido político ao qual pertence, viajou à Rússia a fim de se encontrar com executivos da Gazprom para conversar sobre investimentos nos campos de gás do país.

Os jornais peruanos disseram que a reunião de 5 de julho cheirava a nepotismo, depois que comunicados da Gazprom e do Ministério das Relações Exteriores russo disseram que Alexis Humala fora enviado como "representante especial" do presidente eleito.

Ollanta Humala, entretanto, cuja campanha eleitoral se baseou numa cruzada anticorrupção, disse que seu irmão foi para Moscou sem o seu conhecimento em busca de negócios com a estatal Gazprom, a maior empresa de gás natural do mundo.

Alexis Humala fez faculdade na Rússia e viveu no país durante muitos anos.

Ollanta Humala assume o governo no dia 28 de julho e fez duras críticas ao modelo do setor de gás peruano, dizendo que as exportações do combustível colocam em risco a segurança energética do país.

Colunistas de jornal exortaram o presidente eleito a expulsar o irmão do Partido Nacionalista, fundado em conjunto por eles há anos. Eles também pediram que o presidente eleito proíba Alexis Humala de ocupar qualquer cargo no governo.

"Espero que Ollanta Humala faça a coisa certa e expulse seu irmão do partido. Se não, seu discurso anticorrupção será nada mais do que uma farsa", disse o colunista Augusto Alvarez Rodrich, do jornal progressista La Republica, que apoiou a candidatura de Humala.

Uma vez na Presidência, uma das primeiras tarefas de Humala será renegociar um aumento dos royalties sobre as exportações de gás feitas pelo consórcio de gás natural Camisea.

A argentina Pluspetrol está à frente do consórcio, que inclui ainda a espanhola Repsol, a Hunt Oil, com sede nos Estados Unidos, e a sul-coreana SK Energy.

Humala, esquerdista que prometeu governar como moderado, prometeu também respeitar os contratos das empresas e evitar mudar unilateralmente as regras para o setor privado.

O governo do presidente Alan Garcia, que está deixando o poder, começou a renegociar os termos dos royalties sobre as exportações em julho de 2010 a fim de mitigar uma distorção de preço que tem enfurecido os consumidores, porque o gás exportado custa menos do que o gás comprado no mercado interno.

As negociações, porém, emperraram e o governo de Humala terá de retomá-las. O setor ainda é pequeno, mas cresce cada vez mais e potencialmente vale bilhões de dólares.

A Gazprom não tem operações no Peru, mas nos últimos anos tem feito progressos na Venezuela, na Bolívia e, de certa forma, no Brasil e na Argentina.

(Reportagem de Terry Wade e de Patricia Velez)

Reuters

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