O presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, realizará uma visita de Estado à China, por convite de Hu Jintao, entre 25 e 27 de maio, informou, nesta quinta-feira, um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores.
O anúncio da visita acontece em meio às chamadas internacionais para que se restitua a calma no Uzbequistão, após os violentos fatos de 13 a 15 deste mês na cidade de Andijan.
Segundo cifras oficiais, 108 civis e 32 agentes da Polícia ou de Segurança morreram em sangrentos enfrentamentos de rua que causaram a fuga de milhares de pessoas para a fronteira uzbeque-quirguiz.
A revolta, que teria deixado mais de 700 mortos segundo fontes da oposição, "pretendia reverter a ordem constitucional no Uzbequistão e obrigar o povo a rejeitar a parte democrática e laica", denunciou hoje o parlamento uzbeque.
Taskent acusou "extremistas" pela revolta, instigada pelo islamismo e o descontentamento com o governo, dirigido com mão-de-ferro pelo presidente Karimov desde 1989, acusado de asfixiar a oposição política, as ONGs e a livre empresa.
Pequim reiterou esta mesma semana seu apoio a Karimov na luta contra o terrorismo, o que contrastou com as condenações da UE, EUA e de outros membros da comunidade internacional.
"O Uzbequistão é um vizinho próximo e amigo da China, acompanhamos com preocupação os eventos no país e nos alegramos que volte à estabilidade", destacou na terça-feira o porta-voz de Assuntos Exteriores chinês, Kong Quan, em entrevista coletiva.
Na China, Karimov se reunirá seguramente com seu homólogo, Hu Jintao, para tratar de questões das relações bilaterais e regionais, embora o porta-voz não tenha dado detalhes da agenda.
Uzbequistão e China são dois dos seis membros da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), integrada também por Rússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão, um mecanismo de cooperação no qual a luta contra o terrorismo é um dos principais objetivos.
Em setembro de 2003, os países da OCS, fundada em Xangai em 1996 para resolver os problemas fronteiriços que ocasionou o desaparecimento da União Soviética, se comprometeram a criar uma base antiterrorista em Tashkent, a capital uzbeque.
A China deseja estreitar a colaboração antiterrorista com estes países perante o temor de movimentos separatistas que reclamam a independência da região noroeste chinesa de Xinjiang, com uma importante população muçulmana de etnias emparentadas com os povos da Ásia Central.
Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026
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