Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Presidente do TSE diz que reforma política tem ponto odioso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio de Mello, classificou como odioso o ponto do projeto de reforma política que garante aos atuais parlamentares um lugar no topo da lista dos partidos nas próximas eleições. (Leia Mais)

Quarta, 20 de Junho de 2007 às 08:52, por: CdB

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio de Mello, classificou como odioso o ponto do projeto de reforma política que garante aos atuais parlamentares um lugar no topo da lista dos partidos nas próximas eleições.

- Sou contrário à candidatura nata. A escolha da lista deve ser definida em convenção do partido político - observou o ministro.- A alternância é salutar e própria do regime democrático. Do jeito que está colocado é odioso.

O projeto atual, em tramitação na Câmara, prevê a candidatura legislativa através de listas elaboradas pelo partido, com os atuais deputados e senadores encabeçando a relação na próxima eleição.

O eleitor votaria no partido, e os primeiros nomes da lista seriam eleitos, dependendo do total de votos recebidos pela legenda.

O ponto mais polêmico do projeto não é a presença dos atuais parlamentares encabeçando a lista, mas a própria existência da lista fechada. Por falta de consenso, os deputados discutem a flexibilização da lista, com a criação de uma fórmula pela qual o eleitor tenha a opção de votar no partido e também num candidato específico.

Os líderes dos partidos na Câmara dos Deputados tentam um acordo sobre a proposta numa reunião na manhã desta quarta-feira.

Voto distrital misto

O presidente do TSE é favorável ao voto distrital misto, com financiamento público. Ele também concorda com a lista fechada, desde que a ordem dos candidatos seja decidida em convenção do partido.

- Fala-se muito da ditadura do partido, mas eu pergunto: existe candidatura avulsa? - indagou.

O ministo acredita que a mudança fortaleceria os partidos, mas vê isso como uma mudança positiva.

- No Brasil se vota praticamente pela simpatia do candidato, o que é muito ruim - disse.

O presidente do TSE também defende a utilização do sistema distrital misto nas eleições municipais do próximo ano, que vão eleger câmaras de vereadores em todo o país, como um teste. No sistema distrital misto algumas vagas são reservadas aos votos para o partido, e as outras são divididas em territórios definidos.

- Temos aí um laboratório fabuloso, que é a eleição municipal (em 2008), e podemos ver os resultados - supôs.

Financiamento público

O ministro também defende o financiamento público das campanhas eleitorais como forma de acabar com casos de favorecimento a empresas, como apareceram nos últimos anos.

- Quando há o engajamento numa candidatura, no passo seguinte se busca a contraprestação, que se mostra nefasta - disse o presidente do TSE - Não podemos ser ingênuos e acreditar que uma construtora doe importâncias apenas por ver, por patriotismo, o candidato eleito. Ela doa por cooptação. E esta cooptação deve ser excomungada.

Segundo o ministro, o financiamento público vai acabar saindo muito mais em conta para a sociedade.

- O ideal é que se parta com regras rígidas, com sanções previstas - concluiu.

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