Rio de Janeiro, 15 de Fevereiro de 2026

Presidente do Theatro Municipal quer verba de R$ 920 mil por mês

Quarta, 05 de Setembro de 2007 às 19:04, por: CdB

Uma verba de quase R$ 1 milhão por mês foi o que o presidente da Fundação Theatro Municipal, Luiz Paulo de Oliveira Sampaio, reivindicou como solução para reerguer o espaço, durante audiência pública, realizada pela Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Rio, nesta quarta-feira.
 
— Temos uma verba mensal de R$ 217 mil para manutenções do dia-a-dia, que foi agrupada com a verba destinada à programação, voltada para a montagem de espetáculos e para pagar as despesas básicas. Para funcionar bem, precisaríamos do mesmo orçamento de oito anos atrás, quando o teatro recebia R$ 920 mil—, afirmou.

No encontro, a presidente da comissão, deputada Jane Cozzolino (PTC), disse que irá reunir todos os esforços para sensibilizar o Governo do estado no que se refere ao aumento de recursos para o teatro, bem como lutar contra a idéia de se municipalizar a instituição. Ela fez questão de ressaltar a importância do Municipal para o País.
 
— O Theatro Municipal é a principal casa de espetáculo do Brasil e umas das mais relevantes da América do Sul. Ela é a única a manter, simultaneamente, um coro, uma orquestra e um balé de extremo reconhecimento —, informou a parlamentar.

Segundo o presidente da fundação, a escassez de recursos não permite que quase 50% das vagas administrativas e técnicas que estão desocupadas sejam preenchidas.
 
— A falta de pessoal é apenas um dos problemas enfrentados hoje. O teatro precisa de manutenção, mais segurança e de uma grande reforma estimada em R$ 50 milhões. Mas não tenho como contratar pessoal se a verba não dá. Por isso, precisamos, principalmente, de uma verba como a de 1999 para funcionarmos plenamente —, estipulou Sampaio.
 
A deputada Cozzolino garantiu que a comissão vai analisar todos os balancetes do teatro de 2007 e compará-los ao de 2006, para, logo após, realizar uma audiência pública com a nova secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, que, ao assumir o cargo, comprometeu-se com a recuperação do Municipal.

A municipalização do teatro foi criticada durante a audiência pelas parlamentares presentes. Membro da comissão, a deputada Sheila Gama (PDT) disse que esta tendência de querer municipalizar diversos setores tem que ser freada.
 
— O município não tem suporte para arcar com responsabilidades que são do estado e essa área (a da Cultura) tem que ter sua merecida atenção. A maior riqueza de um povo é sua Cultura —, apontou.

O presidente da fundação falou que a troca de responsabilidade de uma esfera administrativa para outra não irá resolver o problema da instituição.
 
— Não vejo onde seria vantajoso para o Theatro Municipal passar a ser administrado pela prefeitura. Se fosse para sua recuperação, poderia ser municipal, estadual ou federal. Mas como a prefeitura vai poder colaborar se a questão é financeira? —, questionou Sampaio. 

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