Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Presidente do Supremo diz que corte no orçamento do Judiciário foi um "pequeno equívoco" do governo

Quinta, 01 de Setembro de 2011 às 14:59, por: CdB

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, considerou que os cortes propostos pelo governo ao orçamento do Poder Judiciário para 2012 foram um “pequeno equívoco”. Durante o intervalo da sessão plenária desta quinta-feira (1º), Peluso evitou cogitar a hipótese de que o corte tenha sido feito de forma intencional e definitiva. "Parece que houve um pequeno equívoco e que o Executivo vai retificar sem dúvida”, disse Peluso.

Ontem, o Executivo encaminhou ao Congresso Nacional a proposta orçamentária para 2012 sem prever reajuste salarial de 56% dos servidores do Judiciário (56%) e de 14,79% para os ministros do Supremo. Ao explicar o corte, ontem (31), a minista do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o reajuste não está apropriado ao orçamento.

No início de agosto, o STF encaminhou à Presidência da República proposta orçamentária de R$ 614 milhões, sendo R$ 103 milhões relativos aos aumentos salariais de ministros e servidores. No comunicado anexado ao projeto, o presidente Peluso alertou que o Executivo não poderia alterar a proposta, uma prerrogativa que caberia apenas ao Legislativo. Também lembrou que há jurisprudência no STF confirmando essa posição.

De acordo com o ministro Marco Aurélio Mello, o corte no orçamento do Judiciário não foi um equívoco. No entanto, ele acredita que o assunto não passou pelo aval da presidenta Dilma Rousseff. “Eu custo a conceber que isso tenha realmente saído do âmbito técnico-burocrata para chegar à definição pela presidente da República. A presidente homenageia - é a premissa que eu estabeleço - a Constituição Federal”.

Marco Aurélio também disse que o apelo do Judiciário pode não ter eco na sociedade, uma vez que o salário dos ministros é o teto do funcionalismo público, mas que o reajuste é um direito previsto na Constituição. “A quadra que vivenciamos é um tanto quanto estranha. Potencializando-se o objetivo que é evitar a ter inflação, caminhar para o enxugamento da máquina administrativa se acaba atropelando regras. E não se pode atropelar a Constituição Federal”.

Na última terça-feira (30), uma comitiva de ministros do governo Dilma foi ao STF informar Peluso que algumas demandas do Judiciário não foram contempladas na proposta de Orçamento da União para o ano que vem. Participaram do encontro os ministros Guido Mantega, da Fazenda; Miriam Belchior, do Planejamento; José Eduardo Cardozo, da Justiça; além do advogado-geral da União, Luis Inácio Adams. Hoje, Cardozo voltou a se reunir com Peluso na sede da Corte.

Edição: Vinicius Doria

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