O presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, procurou ser conciliador em suas respostas sobre divergências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na madrugada desta terça-feira, durante entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura. Ele defendeu com ênfase o Judiciário, disse estar disposto a aceitar até mesmo o seu controle externo e mudanças constitucionais para o seu aperfeiçoamento, mas que o problema principal da morosidade da Justiça pode ser resolvido com reformas na legislação processual, que não dependem de emendas à Constituição.
Maurício Corrêa insistiu na importância de um entendimento entre o Executivo e o Judiciário para avançar na reforma do Poder e que suas rusgas com Lula estão superadas, pelo menos da parte dele. Apesar disso, declarou que o eleitorado parece estar se decepcionando com o governo petista, embora, pessoalmente, considere correta a política econômica que vem sendo adotada pelo presidente da República.
Ao comentar sua opinião sobre o governo, o presidente do Supremo elogiou Lula:
- Eu acho que o governo Lula foi eleito de uma maneira espetacular pelo povo brasileiro, e que a ansiedade que o povo tinha, quer dizer, aquela expectativa não é a que se viu. Eu não vou dizer isso (estar decepcionado com Lula). Se eu estou no terreno do entendimento, por que eu não mantenho esse entendimento? Ora, evidentemente se ocorrer um fato que eu entenda que eu deva falar, eu falarei. Mas não é este o momento. Em segundo lugar, se houver algo que mereça a minha crítica, eu falarei.
Corrêa afirmou também que na sua opinião a política econômica do governo está boa. "Sobre o que não está bom, eu não vou dizer. Eu não quero entrar no terreno político. Eu falei o que tinha de falar para ser respeitado. Se eu for respeitado... Eu sou um poder, portanto eu posso falar. Isso não significa que não vou me preocupar em pedir nada ao governo. Eu devo me preocupar em arranjar verba, eu preciso de recursos, dentro do respeito de um poder. Só isso."
O presidente do STF também ressaltou seu ânimo conciliador, recusando-se a falar sobre o conceito que tem de Lula e do Palácio do Planalto. "Eu acho que não vim aqui para repetir ou falar sobre conceitos que eu tenho do presidente da República ou do Palácio do Planalto. Eu acho que não devo falar, não é hora de falar. Se o presidente da República quer se entender comigo, vamos nos entender." E voltou a se referir à política econômica: "Eu acho que tem que manter essa situação que está mantida". E elogiou em seguida as reformas que estão sendo feitas pelo atual governo, lembrando que o de Fernando Henrique não conseguiu implantá-las por não ter tido o apoio do PT e não ter reunido a base política necessária no Congresso.
Para o presidente do STF, o projeto de reforma tributária, do jeito que está, onera o contribuinte. "Mas eu acho que eles, os membros do Executivo e do Congresso, têm avaliação muito mais perfeita do que eu."