Um dia depois de pedir que todos os 136 diretores do Senado colocassem seus cargos à disposição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que poderá cortar mais da metade dessas vagas.
Sarney anunciou também nesta quarta-feira a assinatura de um convênio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para modernizar o Senado, na tentativa de minimizar a onda de denúncias de irregularidades contra a administração da Casa. Desde o fim do recesso, em fevereiro, o Senado votou apenas uma medida provisória.
– Vamos reduzir muito o número de diretores e comissões dentro do Senado. O que for sério e essencial fica – disse Sarney a jornalistas, acrescentando que as promoções passarão a ser feitas por mérito.
– A redução pode ser de 50% (de cargos na diretoria). Talvez essa redução possa ser ainda maior – completou.
O convênio assinado com a FGV prevê uma auditoria na administração e planejamento no departamento de Recursos Humanos do Senado. Sarney prometeu "agir com a energia devida no momento necessário", mas não divulgou prazo para realizar as medidas e os custos delas.
– Evidentemente, dependemos de vontade política para implementar – alertou o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal.
Sarney escalou o diretor de Orçamento do Senado, Fábio Gondim, para rebater as denúncias.
– Há uma impressão de falhas. Isso pode haver, mas o Senado não é irresponsável nos gastos – alegou.
– O aumento dos gastos é menor do que em outros Legislativos, do que no governo e no Judiciário – completou.
No fim de semana, a mídia informou que diretores do Senado empregavam parentes em empresas prestadoras de serviço (terceirizadas), para burlar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a prática de nepotismo na administração pública.
No início do mês, o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, pediu afastamento do cargo após vir à tona que ele registrou em nome de seu irmão, o deputado João Maia (PR-RN), uma casa de R$ 5 milhões em Brasília. Ele trabalhava há 33 anos no Senado e estava há 14 na diretoria-geral.
Foi divulgado ainda que o Senado pagou horas extras a mais de 3 mil funcionários da Casa em pleno recesso parlamentar de janeiro, com gastos estimados em R$ 6,2 milhões.
Também nos últimos dias, o diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, pediu dispensa do cargo depois de acusação de que um apartamento funcional era utilizado indevidamente por um de seus filhos.
Perguntado se apoiará a medida tomada na terça-feira pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para impedir o trancamento da pauta por medidas provisórias, Sarney respondeu que ainda precisa saber os detalhes da iniciativa.
Presidente do Senado pode cortar metade dos cargos de diretoria da Casa
Um dia depois de pedir que todos os 136 diretores do Senado colocassem seus cargos à disposição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que poderá cortar mais da metade dessas vagas.(Leia Mais) Sarney anunciou também a assinatura de um convênio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para modernizar o Senado
Quarta, 18 de Março de 2009 às 10:33, por: CdB