O presidente do Peru, Alejandro Toledo, permitiu finalmente na quarta-feira que uma comissão do Congresso o interrogasse a respeito de acusações de fraude em seu partido, mas deixou-os furiosos ao recusar-se a assinar um documento no qual suas declarações haviam sido transcritas.
Como esperado, Toledo negou veementemente as acusações de que seu partido, com a concordância dele, forjou milhares de assinaturas para se registrar nas eleições de 2000, em um caso que se tornou o maior escândalo da atual Presidência, marcada por crises.
Segundo um relatório da polícia, 78 por cento das assinaturas apresentadas eram falsas. Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos peruanos acredita que o partido de Toledo forjou as assinaturas, que a irmã dele dirigia uma fábrica de "fraudes", que o dirigente sabia disso e que ele até mesmo participou pagando os falsificadores.
- Ele negou categoricamente a possibilidade de isso (uma 'fábrica de fraudes') existir. - disse Xavier Barron, membro da comissão do Congresso que investiga o caso há meses, depois de um encontro de três horas no palácio do governo.
Os congressistas disseram que Toledo havia cooperado, apesar de não ter respondido todas as perguntas e de ter ficado nervoso várias vezes.
- Ele se levantou para dizer coisas como 'essa pergunta é ultrajante', 'essa pergunta é ofensiva', 'isso é uma barbaridade'. Ele negou tudo, o que é um direito dele. - disse Barron.
Toledo provocou polêmica no começo do mês ao não querer se encontrar com congressistas porque se recusava a permitir a gravação de suas declarações. Dias depois, ele concedeu uma entrevista a um canal de TV dizendo-se inocente.
Desta vez, o presidente permitiu a presença de estenógrafos no encontro com os congressistas, mas não quis assinar o relatório.
A Constituição peruana diz que um presidente em exercício só pode ser acusado de traição, de impedir as eleições ou de dissolver o Congresso. Toledo diz que isso o exime da obrigação de assinar o relatório, mas os congressistas argumentam que o dirigente tem ao menos o dever moral de fazê-lo.
Augusto Alvarez, editor do jornal Peru.21, disse que a recusa de Toledo em assinar o documento dava a impressão de "que algo muito estranho está por trás disso".
O presidente, que conta atualmente com apoio de apenas 8 por cento dos peruanos, enfrentou várias crises durante seu governo.