Presidente do Paraguai, Fernando Lugo disse, nesta terça-feira, que vários países latino-americanos têm as mesmas dúvidas sobre sua dívida externa que o Equador, que na semana passada anunciou uma moratória.
– Quase todos nós temos dívidas externas que não chegaram ao seu destino, que não se utilizaram com a finalidade original pela qual foram contraídas. Em uma democracia aberta, isso não tem legitimidade – disse Lugo, que está no Brasil para participar de uma cúpula de líderes latino-americanos e do Caribe.
O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou na sexta-feira que não pagará o equivalente a US$ 31 milhões em cupom de bônus com vencimento. A inadimplência do Equador é a primeira em bônus soberanos latino-americanos em seis anos e fez despencar os preços dos títulos do país no mercado internacional. Os créditos de outros países da região não foram afetados, pois os investidores duvidam que algum outro governo siga o exemplo equatoriano.
O Paraguai tem uma dívida externa pequena, de pouco mais de US$ 2 bilhões. Seus credores são, na maioria, agências multilaterais de crédito e não investidores privados.
Lugo anunciou este mês que criará uma comissão para analisar a legalidade da dívida externa paraguaia.
– Queremos investigar a origem e a destinação dessa dívida – disse o presidente, ao ser questionado se o Paraguai considera o não-pagamento de sua dívida.