O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou nesta sexta-feira durante uma manifestação em Teerã as afirmações que fizera na quarta-feira de que Israel deveria ser "eliminado do mapa". O presidente iraniano disse que suas críticas foram "justas" e que as críticas que ele vem recebendo da comunidade internacional "não têm qualquer validade".
Dezenas de milhares de iranianos participaram na capital do Irã da manifestação, que é organizada todos os anos na última sexta-feira do mês sagrado muçulmano do Ramadã para que os iranianos mostrem solidariedade pela causa palestina.
Gritando "morte a Israel, morte aos sionistas", os manifestantes queimaram bandeiras israelenses e carregaram placas com a frase polêmica do Ahmadinejad.
"Palavras da nação"
- Minhas palavras foram as palavras da nação. O Ocidente é livre para comentar, mas as reações não têm validade - disse o presidente do Irã, de acordo com a agência estatal iraniana Irna.
O comentário original de Ahmadinejad fez com que o governo de Israel solicitasse uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para discutir possíveis medidas contra o Irã. Antes, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, já havia pedido que o país fosse expulso da organização.
A maioria dos líderes do mundo árabe não demonstrou opinião em relação às afirmações de Ahmadinejad, mas alguns, como o negociador palestino Saeb Erekat, romperam o silêncio.
- Os palestinos reconhecem o direito do Estado de Estado de existir e eu rejeito esses comentários - disse ele.
O premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o presidente iraniano precisa "demonstrar moderação política". O Egito, que tem um tratado de paz com Israel, também rejeitou a postura de Ahmadinejad.
Por sua vez, em uma rara repreensão a um país-membro da organização, o secretário-geral da ONU Annan lembrou ao Irã que, como signatário da Carta da ONU, concordou em não ameaçar usar força contra uma outra nação.