Um beijo, aparentemente inocente, do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na mão de uma antiga professora provocou a revolta do jornal muçulmano Hezbollah, que representa a tendência mais radical do país.
"Ahmadinejad tomou a mão da ex-professora e a beijou. Depois esta mulher de meia idade o tomou em seus braços. O povo muçulmano iraniano não recorda tais atos contrários à sharia (lei islâmica) durante o reino islâmico", afirma o jornal iraniano, que publica três fotos do presidente e da professora.
A cena aconteceu nesta terça-feira, por ocasião do dia do professor. A mulher usava luvas e não houve contato direto entre ela e o presidente. Segundo a lei islâmica, qualquer contato físico entre um homem e uma mulher está proibido, exceto se são casados.
"Este ato incrível do presidente acontece quando os fiéis ainda não esqueceram sua decisão de autorizar as mulheres a entrar nos estádios de futebol", acrescenta o jornal.
Recentemente, por ordem do presidente, a polícia e o exército do país prenderam mais de 300 mulheres que não usavam vestimentas segundo a lei muçulmana.
Novas ordens
O regime dos aiatolás iniciou, como ocorre a cada ano quando o calor começa a se intensificar, uma campanha de islamização do aspecto físico que não afeta apenas as mulheres sem véu, mas também homens e até cosméticos.
Mas desta vez a ofensiva é permanente, e não temporária, como costumava ocorrer nos anos anteriores, quando as temperaturas aumentavam, e o recato ao se vestir diminuía.
Embora o governo iraniano não divulgue os números exatos, centenas de pessoas foram presas há uma semana, enquanto mais de 10 mil receberam algum tipo de aviso ou advertência dos "guardiões da virtude".
Um corte de cabelo atrevido ou uma barba cortada caprichosamente podem acarretar uma severa repressão policial para um homem, ou mesmo levá-lo diretamente para a prisão. Mas, sem dúvida, as mais prejudicadas são as mulheres iranianas, obrigadas a respeitar cuidadosamente o código.
Nas universidades de Teerã, onde a maioria dos estudantes é do sexo feminino, pode-se observar mais facilmente a campanha.