"O demônio aterrissou", foi assim que o jornal New York Daily News se referiu nesta segunda-feira à chegada do presidente do Irã à Nova York. Mahmoud Ahmadinejad, que vai participar da abertura da Assembléia Geral da ONU, terá uma segunda-feira bastante agitada.
A Assembléia Geral da ONU é uma boa oportunidade de apresentar as soluções do povo iraniano a fim de resolver os problemas do mundo — disse o líder de Teerã ao embarcar, no domingo, ao país arquiinimigo.
Em dois dias em território norte-americano, Ahmadinejad terá oportunidae de mostrar suas propostas. Nesta segunda-feira, o presidente iraniano será recebido em Columbia para um debate com professores e estudantes, como parte de um fórum com líderes mundiais.
O convite gerou grande polêmica nos EUA. O Departamento de Estado americano classifica o Irã como um Estado que patrocina o terror, e Ahmadinejad já comentou que o Holocausto é um "mito" e exortou que Israel seja destruído. Columbia resistiu às pressões e manteve o convite.
O reitor da renomada universidade, John Coatsworth, chegou a dizer que permitiria que Adolf Hitler também falasse em fórum semelhante na instituição de ensino. Além disso, Ahmadinejad terá encontros bilaterais com outros chefes de Estado, vai receber representantes da comunidade iraniana nos EUA e também pretende se reunir com críticos do governo de George W. Bush e com sobreviventes e familiares de mortos do 11 de Setembro. Ahmadinejad só não conseguirá visitar o marco zero do local onde funcionava o World Trade Center, destruído há seis anos em atentado terrorista. Sua iniciativa foi vetada por autoridades de Nova York.
Durante a passagem do presidente do Irã por Nova York são esperados vários protestos, principalmente de grupos judaicos e de organizações que apóiam a política antiterror de Bush. Após o discurso na assembléia da ONU, Ahmadinejad tem prevista uma rápida visita à Venezuela e ao Brasil, que tem feito grandes investimentos na indústria petrolífera do país islâmico.