O presidente Mahmoud Ahmadinejad deu declarações desafiadoras nesta terça-feira, à medida em que se aproxima o final do prazo imposto pelo Ocidente ao Irã para que o país islâmico interrompa suas atividades nucleares. Ahmadinejad também desafiou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a participar de um debate televisionado.
- A energia nuclear pacífica é direito da nação iraniana. A nação iraniana escolheu o caminho baseado nas regulamentações internacionais, quer utilizá-las e ninguém pode pará-la - disse Ahmadinejad em entrevista coletiva.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deu ao Irã até quinta-feira para suspender seu programa de enriquecimento de urânio sob pena de sofrer eventuais sanções. O urânio enriquecido pode ser usado tanto como combustível em usinas nucleares quanto como parte da ogiva de bombas atômicas.
Ahmadinejad condenou o papel desempenhado pelos norte-americanos e britânicos no mundo desde a Segunda Guerra Mundial.
- Achamos que os privilégios especiais que a América e a Grã-Bretanha desfrutam hoje são a origem de todo problema no mundo - disse o presidente do Irã, acrescentando que os dois países abusaram de seu papel como membros permanentes do Conselho da ONU.
- Não é a hora de as relações internacionais estarem fundadas na democracia e nos direitos iguais das nações? Eu sugiro a realização de um debate televisionado com o senhor George W. Bush a fim de discutirmos as questões mundiais e as formas de resolvê-las - disse.
- O debate não deveria ser censurado a fim de que o povo americano seja capaz de ouvir o que dizemos e não deveria restringir ao povo americano a possibilidade de ouvir a verdade - ressaltou.
Potências divididas
Os EUA defendem que a ONU responda prontamente caso o país islâmico não atenda à exigência. Mas, segundo analistas, as desavenças existentes dentro da entidade sobre como enfrentar a questão iraniana poderiam significar uma demora na adoção de uma manobra do tipo.
O Irã não deu sinais de que suspenderá o enriquecimento de urânio. Quarto maior exportador de petróleo do mundo, o país menosprezou a ameaça de sanções e disse que tal medida significaria apenas a elevação dos preços do petróleo até níveis intoleráveis para as economias industrializadas.
- Se os países do Ocidente pretendem estabelecer uma cooperação ampla e de longo prazo com o Irã, então não deveriam tentar impor sanções ao Irã - afirmou o principal negociador do país para a questão atômica, Ali Larijani, na segunda-feira.
Larijani também disse que os esforços do país para dominar o ciclo de fabricação de combustíveis nucleares eram "irreversíveis". Declarações de teor semelhante já haviam sido dadas pelo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, a maior autoridade do país.
O governo iraniano afirmou estar pronto para dar início imediatamente a negociações sobre seus planos atômicos, mas recusou-se a suspender previamente o enriquecimento de urânio. A realização de negociações é parte do pacote de incentivos oferecido pelos EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha.
Há uma grande possibilidade de que a Rússia e a China, importantes parceiros comerciais do Irã e que possuem poder de veto no Conselho de Segurança, se oponham à adoção de sanções.
O governo norte-americano, que já impõe sanções unilaterais ao país islâmico, sugeriu que poderia elaborar um plano para agir, ao lado de outras nações, fora do Conselho de Segurança.
Segundo o Irã, a adoção de medidas sem o apoio do Conselho de Segurança seria um insulto ao organismo internacional. Analistas afirmam que sanções impostas por uma coalizão do tipo teriam pouco impacto sobre o Irã se tal coalizão não incluir seus grandes parceiros comerciais, entre os quais a Alemanha, a Itália e o Japão.