Criticado por líderes do mundo todo por suas ambições nucleares, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, une-se aos líderes esquerdistas sul-americanos que o apóiam como parceiros energéticos e comerciais em oposição à influência dos Estados Unidos.
Após o seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas na terça-feira, em que Ahmadinejad declarou que o Irã pretende ignorar demandas de "poderes arrogantes" para interromper o seu programa nuclear, o líder iraniano desembarcou pela primeira vez na Bolívia nesta quinta-feira, para estreitar relações com a nação andina.
Espera-se que Ahmadinejad e o presidente boliviano, Evo Morales, assinem acordos comerciais que, segundo oficiais de La Paz, podem ajudar o país sul-americano a ampliar a exploração da segunda maior produtor de gás natural no continente, depois da Venezuela, e a realizar investimentos extremamente necessários na agricultura do país.
Ahmadinejad segue depois para Caracas, onde encontrará o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que defende o programa nuclear iraniano, justificando que ele tem fins pacíficos.
A viagem do presidente iraniano pelos países sul-americanos para aproximar os governos também inclui o Equador e a Nicarágua, enquanto os Estados Unidos tentam isolar o Irã internacionalmente.
A proximidade de Ahmadinejad entre Chávez e governo aliados da Venezuela preocupa líderes esquerdistas venezuelanos e bolivianos, além de Washington, que acusa o Irã de patrocinar o terrorismo. Segundo o republicano Connie Mack, a relação entre os países lembra "o relacionamento de Fidel Castro com a Rússia".
O presidente equatoriano, Rafael Correa, também pretende estreitar laços com Teerã. O Irã inclusive anunciou recentemente que abrirá a sua primeira embaixada em Quito. Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, já aceitou investimentos iranianos em infra-estrutura. Em troca, o governo de Manágua exporta carne, café e bananas para o Oriente Médio.