Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Presidente do Irã anuncia libertação de britânicos detidos

Mahmoud Ahmadinejad fez o anúncio após condecorar guarda-costeira iraniana e disse que libertação dos prisioneiros foi 'um presente' aos ingleses. (Leia Mais)

Quarta, 04 de Abril de 2007 às 08:40, por: CdB

Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad disse nesta quarta-feira que o Irã libertará os 15 marinheiros britânicos detidos pelo país como um "presente para o povo britânico" e pediu a Londres que não os puna por dizerem que tinham entrado em território iraniano.

- Eles estão livres após essa reunião e podem voltar às suas famílias. Peço ao senhor Blair que não puna os soldados com a acusação de aceitarem falar a verdade - disse Mahmoud Ahmadinejad em entrevista à imprensa, em referência às "confissões" gravadas dos 15 marinheiros e fuzileiros-navais dizendo que haviam entrado em águas iranianas.

A Grã-Bretanha, que criticou as imagens, insiste que os marinheiros estavam em águas iraquianas quando foram capturados em 23 de março.

- Sob a influência do profeta muçulmano, (o Irã) perdoa essas 15 pessoas e dá a liberdade deles ao povo britânico como um presente - disse Ahmadinejad.

Ele ainda entregou uma medalha a um comandante da Marinha iraniana pela detenção dos britânicos e disse lamentar que Londres não tenha tido "coragem suficiente para confessar seu erro sobre a entrada em águas iranianas".

De acordo com Ahmadinejad, cuja entrevista foi exibida ao vivo pela televisão, os militares serão levados diretamente para o aeroporto de Teerã.

- Depois desta entrevista, (os marinheiros ingleses) podem se dirigir ao aeroporto e retornar para casa. Voltarão para casa hoje (quarta-feira) - concluiu Ahmadinejad.

Ahmadinejad também criticou a invasão liderada pelos Estados Unidos ao Iraque e a guerra de Israel no Líbano.

O líder iraniano usou a entrevista coletiva, por ocasião do Ano Novo Persa, para condenar os países que, segundo ele, estão por trás da "miséria" e "destruição" no mundo. Ahmadinejad disse que não parece haver ninguém "para se levantar e defender os direitos dos oprimidos". O presidente do Irã iniciou a entrevista coletiva com referências ao Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, em seguida fez um discurso amplo sobre a história moderna do Oriente Médio e atacou o Ocidente.

- A invasão do Iraque foi baseada em uma falsa premissa de que o Iraque tinha armas de destruição em massa - disse Ahmadinejad, e mesmo agora "as forças de ocupação continuam lá e pessoas ainda estão sendo mortas".

Desconfiança britânica

Em resposta à notícia divulgada por Ahmadinejad, a Grã-Bretanha saudou o anúncio feito pelo presidente do Irã, de que os 15 marinheiros britânicos detidos por Teerã serão libertados, em tom de desconfiança.

- Nós saudamos o que o presidente (iraniano) disse sobre a libertação de nossos 15 militares. Nós estamos agora estabelecendo exatamente quais são os meios, em termos de método e tempo, para a libertação deles - afirmou uma porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Tony Blair.

Retaliação à vista

Ahmadinejad, na entrevista, alertou as principais potências mundiais que elas não podem privar o Irã de seu direito à tecnologia nuclear emitindo resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele afirmou que o Irã pode retaliar devido às sanções impostas a bancos iranianos no exterior pelo Conselho de Segurança da ONU. O país alega que seus objetivos atômicos são totalmente pacíficos

- Se eles quiserem criar distúrbios... para partes de nossa economia, (como) bancos, vamos retaliar lá ou em outros lugares - ameaçou.

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