O projeto de integração do Rio São Francisco pode ajudar na reforma agrária do país. A avaliação é do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.
- Esse trabalho vai beneficiar muito a reforma agrária porque na regularização fundiária que tem de ser feita ao redor dessas obras e ao lado dos rios, tem muita terra devoluta. São centenas de famílias de pequenos posseiros, agricultores familiares que vivem há séculos naquela região e não têm nenhum documento. Vamos passar a conceder o documento, por meio do geo-referenciamento e da regularização - disse.
Segundo Hackbart, a regularização fundiária na região das obras é prioridade do governo. - Os dados do Incra mostram que é nessa região que estão mais de 70% das famílias de pequenos posseiros sem nenhum documento. Então, esses posseiros vão passar a integrar a República -.
O presidente do Incra disse ainda que a prioridade do governo é revitalizar o São Francisco. - A grande tarefa do governo federal é recuperar o rio - afirmou.
Ele destacou também a importância da interligação das baciais. - No Nordeste, na região de semi-árido, não tenho dúvida de que a grande prioridade para qualquer governante é o acesso à água. Nem sempre é falta de água, mas sim falta de acesso. Eu até diria que antes do acesso à terra é ter acesso à água - completou.
Segundo o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, as obras terão início até o final do mês. Desde a última segunda-feira, representantes de movimentos sociais e de comunidades sob influência da transposição do rio estão acampados em Brasília reivindicando o fim do projeto.