Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Presidente do Egito não intercederá por jornalistas condenados

O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, afirmou nesta terça-feira que não vai "interferir" na decisão do Judiciário egípcio, que determinou a prisão de três jornalistas da rede de TV Al-Jazeera, acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana.

Terça, 24 de Junho de 2014 às 07:25, por: CdB
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Centenas de jornalistas fizeram protesto silencioso de um minuto em frente ao prédio da BBC
O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, afirmou nesta terça-feira que não vai "interferir" na decisão do Judiciário egípcio, que determinou a prisão de três jornalistas da rede de TV Al-Jazeera, acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana. - Nós devemos respeitar as decisões judiciais e não criticá-las, mesmo se os outros não compreenderem (as decisões) - disse o presidente. Um tribunal no Cairo condenou o australiano Peter Greste e os egípcios Mohammed Fahmy e Baher Mohamed por espalhar notícias falsas e apoiar o grupo islâmico, que foi banido no país. Eles estão presos há seis meses e negam as acusações. O processo causou indignação internacional em meio a acusações de que teria motivações políticas. Os três foram condenados a sete anos de prisão. Baher Mohamed foi condenado a mais três anos de prisão em um processo separado envolvendo a posse de armas. Eles devem devem entrar com recurso. A Justiça egípcia também julgou nove acusados à revelia, incluindo três jornalistas estrangeiros, que foram condenados a dez anos de prisão. Condenação Políticos e a imprensa em diversos países condenaram a decisão da Justiça do Egito. Em Londres, funcionários da agência britânica de notícias BBC e colegas de outras empresas fizeram um protesto de um minuto em frente à sede da agência, na região central. - O veredicto é injusto; o caso, infundado - disse James Harding, o diretor da BBC News, durante o protesto. Harding afirmou que os jornalistas vão enviar uma carta ao presidente Abdul Fattah al-Sisi, pedindo intervenção no caso. Em Brisbane, na Austrália, o pai de Peter Greste, Juris, disse a jornalistas que a família está "arrasada" e "chocada" com o veredicto. - Este é um momento muito obscuro, não apenas para nossa família, mas para o jornalismo em geral - disse o pais. Ele descreveu a decisão da Justiça egípcia como um "tapa na cara de todas as pessoas justas do mundo". - Jornalismo não é crime, senão vocês todos deveriam estar presos - disse ele aos jornalistas. O julgamento ocorre em meio a crescentes restrições ao trabalho da imprensa no Egito. A Al-Jazeera, sediada no Catar, está proibida de operar dentro do Egito após autoridades terem acusado o canal de transmitir reportagens favoráveis ao ex-presidente Mohammed Morsi e a Irmandade Muçulmana. A Al-Jazeera nega as acusações. O Catar apoia a Irmandade e é visto com ceticismo pelo governo egípcio.
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